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Biblioteca digital de história e pensamento

10. As guerras dos diádocos e a divisão do império

Depois da morte de Alexandre, os principais oficiais reconheceram Filipe III e o futuro Alexandre IV. Pérdicas tornou-se regente e as satrapias foram distribuídas. A solução preservava formalmente a dinastia argéada, mas comandantes controlavam exércitos e territórios. A autoridade central precisava ser negociada a cada crise. Os “diádocos”, sucessores, não começaram necessariamente com planos de…

10.1 Um império, dois reis e muitos comandantes

Depois da morte de Alexandre, os principais oficiais reconheceram Filipe III e o futuro Alexandre IV. Pérdicas tornou-se regente e as satrapias foram distribuídas. A solução preservava formalmente a dinastia argéada, mas comandantes controlavam exércitos e territórios. A autoridade central precisava ser negociada a cada crise.

Os "diádocos", sucessores, não começaram necessariamente com planos de criar reinos nacionais separados. Lutaram por regência, segurança, território, acesso aos reis e possibilidade de dominar o conjunto. A fragmentação foi processo, não decisão tomada numa única reunião.

10.2 A primeira geração de guerras

Pérdicas tentou manter supremacia, mas fracassou numa invasão do Egito e foi morto por oficiais em 321 a.C. Antípatro assumiu a regência; depois de sua morte, novas coalizões colocaram Cassandro, Antígono Monoftalmo, Ptolomeu, Seleuco, Lisímaco e outros em conflito.

As alianças mudavam porque nenhum competidor podia permitir que outro reconstruísse o império inteiro. Tesouros, frotas, elefantes, cidades e casamentos eram recursos estratégicos. Proclamações de liberdade das cidades gregas serviam para enfraquecer rivais e atrair apoio.

10.3 O desaparecimento da família de Alexandre

Filipe III e sua esposa Eurídice foram mortos em 317 a.C. Olímpia, mãe de Alexandre, foi executada depois da vitória de Cassandro. Roxana e Alexandre IV permaneceram sob custódia e foram mortos por ordem de Cassandro por volta de 310/309. Herácles, outro filho atribuído a Alexandre, também foi eliminado.

Sem a dinastia, os generais puderam assumir abertamente títulos régios. As mortes não foram detalhe privado: removeram a referência que permitia acusar cada governante de simples administrador. A nova legitimidade dependeria de vitória, descendência própria, fundação de cidades, culto, benefícios e controle territorial.

10.4 Antígono e a batalha de Ipso

Antígono Monoftalmo e seu filho Demétrio Poliorcetes chegaram perto de construir uma supremacia sobre grande parte da Ásia e do Egeu. Em 306 a.C., após vitória naval, assumiram o título de reis; rivais fizeram o mesmo. A multiplicação de reis reconhecia que a unidade argéada havia terminado.

Em 301 a.C., Antígono foi derrotado e morto em Ipso por uma coalizão de Seleuco e Lisímaco, apoiada por outros poderes. Elefantes de guerra associados às conexões de Seleuco com o império Maurya contribuíram para bloquear movimentos de cavalaria nas narrativas da batalha. Ipso impediu a reunificação sob Antígono e redistribuiu a Anatólia e a Síria.

10.5 Corupédio e a estabilização relativa

Lisímaco construiu poder na Trácia e na Anatólia, mas foi derrotado por Seleuco em Corupédio, em 281 a.C. Seleuco parecia próximo de incorporar a Macedônia, porém foi assassinado por Ptolomeu Cerauno. A sequência encerrou a geração de comandantes que conhecera Alexandre.

Por volta de meados do século III, três grandes monarquias dominavam o cenário: Antigônidas na Macedônia, Selêucidas em grande parte da Ásia e Ptolomeus no Egito e em possessões marítimas. Ao redor delas existiam ligas gregas, cidades, dinastias anatólicas, reinos iranianos, poderes centro-asiáticos, Cartago, Roma e o Império Maurya.

10.6 Guerra como mecanismo de formação estatal

As guerras dos diádocos destruíram comunidades e deslocaram recursos, mas também criaram instituições. Exércitos exigiam impostos, lotes de terra, arsenais, portos e cidades. Reis recompensavam veteranos, fundavam centros e negociavam com templos e assembleias. A competição produziu uma nova geografia política.

O termo "fragmentação" pode sugerir simples perda. Para muitas regiões, houve mudança de centro, não ausência de governo. Os reinos herdaram práticas aquemênidas e macedônias, mas precisaram adaptá-las a territórios menores, rivais permanentes e comunidades com tradições próprias.

DataAcontecimentoAtoresConsequência
323acordos da BabilôniaPérdicas, generais e família realregência e distribuição de satrapias
321morte de Pérdicasoficiais e Ptolomeunova partilha em Triparadiso
317-309eliminação dos ArgéadasOlímpia, Cassandro e rivaisfim da dinastia de Alexandre
306-305adoção de títulos régiosAntígono, Ptolomeu, Seleuco e outrosmonarquias abertas
301batalha de IpsoAntígono contra coalizãobloqueio da reunificação antigonida
281batalha de CorupédioSeleuco e Lisímacofim da primeira geração

Leituras-base do capítulo: Anson, Alexander's Heirs; Waterfield, Dividing the Spoils; Billows, Antigonos the One-Eyed.