7.1 O primeiro iconoclasmo
Imperadores do século VIII limitaram o culto de imagens, e o concílio de Hieria, em 754, formulou uma posição iconoclasta. As motivações combinavam teologia, autoridade imperial e debates sobre representação; explicações antigas que atribuíam tudo a derrotas militares ou influência islâmica são insuficientes. A imperatriz Irene promoveu o concílio de Niceia II, em 787, que restaurou a veneração de ícones distinguindo-a da adoração devida a Deus.
As fontes favoráveis às imagens venceram e moldaram a memória dos adversários. Como muitos textos iconoclastas foram destruídos ou preservados por opositores, reconstruir seus argumentos exige cautela.
7.2 Segundo iconoclasmo e restauração de 843
O iconoclasmo retornou em 815 e terminou em 843, sob a regência de Teodora. A restauração das imagens foi celebrada como "Triunfo da Ortodoxia". Mosteiros desempenharam papel importante na resistência e na memória posterior, embora monges não tenham formado bloco político único. A controvérsia consolidou formas de arte, liturgia e autoridade que marcariam o cristianismo oriental.
O fim do conflito coincidiu com uma fase de recuperação militar e cultural, mas não deve ser tratado como causa única dessa recuperação.
7.3 Dinastia macedônica e governo
A partir de Basílio I, em 867, a corte patrocinou compilações legais, cerimônias e erudição. A imagem de "renascimento macedônico" destaca manuscritos, arte e recuperação de modelos clássicos, mas continuidades com o século IX são fortes. Imperadores dependiam de eunucos palacianos, famílias militares, funcionários civis, Igreja e alianças matrimoniais.
Disputas sobre grandes proprietários e camponeses aparecem em legislação do século X. O Estado buscava proteger sua base fiscal e militar, mas aristocratas expandiam propriedades por compra, patronagem e pressão. A oposição "Estado versus nobres" simplifica negociações que também produziam serviço imperial.
7.4 Bulgária, missões e alfabetos
O batismo do governante búlgaro Boris I no século IX integrou a Bulgária à competição entre Roma e Constantinopla. Discípulos de Cirilo e Metódio desenvolveram centros de tradução em território búlgaro; o glagolítico e depois o cirílico permitiram ampla literatura eslava cristã. A adoção não foi mera exportação bizantina: governantes búlgaros usaram religião e escrita para fortalecer autonomia.
Sob Simeão I, a Bulgária tornou-se rival imperial e centro cultural. Guerras e tratados mostraram que a "comunidade bizantina" era espaço de apropriação e concorrência, não hierarquia obedecida por todos.
7.5 Rus, comércio e cristianização
Grupos escandinavos, fino-úgricos e eslavos participaram da formação da Rus em corredores fluviais entre Báltico, mar Negro e Cáspio. Kiev tornou-se centro político importante. Incursões e tratados com Constantinopla revelam guerra e comércio; prata islâmica encontrada no norte testemunha conexões com mercados do califado. Em 988, segundo cronologia convencional, Vladimir adotou o cristianismo de rito bizantino.
"Fundação viking" e "origem eslava" foram transformadas em debates identitários modernos. Evidência arqueológica e textual favorece processos mistos, com elites móveis e populações locais.
7.6 Expansão do século X
Durante os reinados de Romano I Lecapeno, Nicéforo II Focas, João I Tzimisces e Basílio II, forças romanas avançaram no Oriente e nos Bálcãs. A reconquista de Creta em 961 reduziu ameaça naval; Antioquia foi retomada em 969; principados armênios e georgianos entraram em relações variadas de aliança, anexação e dependência. O avanço gerou novas fronteiras e exigiu guarnições, impostos e acordos.
Por volta de 1000, o império era mais rico e ofensivo do que em 700, mas continuava vulnerável a sucessão, aristocracias militares e múltiplos vizinhos.
Linguagem responsável: A cristianização de búlgaros ou rus não foi simples "civilização" de povos periféricos. Foi uma negociação em que governantes locais escolheram, traduziram e reorganizaram recursos religiosos para construir poder próprio.
Leituras-base do capítulo: Leslie Brubaker e John Haldon, Byzantium in the Iconoclast Era; Anthony Kaldellis, Streams of Gold, Rivers of Blood; Jonathan Shepard, The Cambridge History of the Byzantine Empire; Florin Curta, Southeastern Europe in the Middle Ages.