Abássidas: Dinastia califal que tomou o poder no Oriente em 750 e governou a partir do Iraque. Mesmo quando perdeu comando direto sobre províncias, o califa abássida permaneceu referência de legitimidade para muitos muçulmanos sunitas.
Arabização: Expansão do uso do árabe em administração, religião, literatura e vida urbana. O processo teve ritmos regionais e não deve ser confundido automaticamente com conquista ou conversão ao Islã.
Baqt: Nome dado ao conjunto de acordos entre o Egito governado por muçulmanos e o reino núbio de Makúria. Regulava paz e intercâmbios, mas seus termos e prática mudaram ao longo do tempo.
Basileus: Palavra grega para rei ou soberano, usada de modo destacado pelos imperadores romanos orientais. O título não substituiu a identidade política romana.
Barmécidas: Família de administradores ligada à corte abássida, poderosa no reinado de Harun al-Rashid e derrubada em 803. Exemplifica patronagem, serviço e vulnerabilidade de elites palacianas.
Califado: Instituição de liderança da comunidade muçulmana com autoridade política e religiosa variável. Omíadas, Abássidas, Fatímidas e Omíadas de Córdoba formularam reivindicações concorrentes.
Capitular: Texto normativo carolíngio dividido em capítulos. Podia orientar administração, Igreja, justiça ou campanha; sua promulgação não garante aplicação uniforme.
Cazar: Confederação e khaganato que controlou áreas entre Volga, Cáucaso e mar Negro. Parte de sua elite adotou o judaísmo, em cronologia e alcance debatidos.
Dhimmi: Categoria jurídica para certas comunidades não muçulmanas protegidas sob governo islâmico mediante obrigações específicas. A prática variou no tempo e no espaço.
Diwan: Registro, secretaria ou departamento administrativo no mundo islâmico. O termo podia designar listas de pagamentos, repartições fiscais ou coleções de poesia conforme o contexto.
Dois Impostos: Reforma Tang de 780 que reorganizou a cobrança em duas etapas anuais e deu maior peso à propriedade e riqueza, respondendo à crise dos antigos registros domésticos.
Emir: Comandante ou governante. Em diferentes épocas, emires foram governadores califais, chefes militares ou soberanos praticamente autônomos.
Fitna: Termo árabe associado a provação, dissensão ou guerra civil. Historiadores usam "primeira fitna" para os conflitos de 656-661 e "segunda fitna" para a crise iniciada após 680.
Fubing: Sistema militar associado a famílias registradas e unidades locais em Sui e Tang inicial. Mudou gradualmente e não deve ser imaginado como modelo imutável de camponeses-soldados.
Ghulam: Jovem dependente ou servidor, frequentemente usado para militares de condição servil no mundo islâmico. Posição jurídica e carreira variavam; o plural árabe é ghilman.
Hégira: Migração de Muhammad e seus seguidores de Meca para Medina, datada de 622 e adotada como início do calendário islâmico.
Iconoclasmo: Políticas e teologias contrárias ao uso religioso de imagens no Império Romano oriental dos séculos VIII e IX. A documentação preservada é majoritariamente favorável aos vencedores iconófilos.
Ismaelismo: Corrente xiita que reconhece uma linha específica de imãs a partir de Ismail ibn Jafar. Os Fatímidas construíram um califado ismaelita a partir de 909.
Jiedushi: Governador militar regional em Tang. Comandos de fronteira ganharam tropas e receitas, e vários se tornaram hereditários ou autônomos após a rebelião de An Lushan.
Jizya: Tributo pessoal associado, em formulações jurídicas clássicas, a determinados não muçulmanos. Documentos iniciais mostram terminologia e aplicação mais variáveis do que manuais posteriores sugerem.
Khagan: Título de soberania usado por governantes de confederações da Ásia interior. Pode ser traduzido por "grande cã", mas seus poderes dependiam de linhagem, seguidores e redistribuição.
Kharaj: Tributo sobre terra ou receita fundiária no governo islâmico. Definições e contribuintes mudaram conforme região e época.
Khitan: Povo e confederação da Ásia nordeste que fundou a dinastia Liao em 907. Liao governou populações pastoris e agrícolas por instituições diferenciadas.
Madhhab: Escola de interpretação jurídica islâmica. As principais escolas sunitas consolidaram-se progressivamente por ensino, textos e redes de juristas.
Mandala: Modelo historiográfico usado para campos de poder do Sul e Sudeste Asiático centrados em cortes, com autoridade graduada e sobreposta. Não é fronteira fixa nem nome nativo universal.
Mawali: Plural de mawla. Em contextos omíadas, frequentemente designa convertidos ou clientes não árabes ligados a grupos árabes, mas o termo possuía vários sentidos sociais e jurídicos.
Missi dominici: Enviados régios carolíngios encarregados de inspecionar regiões, comunicar ordens e ouvir queixas. Seu alcance dependia de cooperação local.
Monção: Sistema sazonal de ventos e chuvas do oceano Índico. A mudança regular da direção dos ventos organizava calendários de navegação.
Nomisma: Moeda de ouro romana oriental, continuidade do sólido. Sua estabilidade relativa foi importante para impostos, pagamentos e comércio.
Omíadas: Dinastia califal que governou de Damasco entre 661 e 750. Um ramo estabeleceu emirado em Córdoba em 756 e reivindicou o califado em 929.
Orkhon: Vale da Mongólia associado a capitais e inscrições turcas e uigures. Os monumentos do século VIII são fontes centrais para linguagem política turca antiga.
Ritsuryo: Sistema japonês de códigos penais e administrativos inspirado em modelos continentais. Regulava corte, províncias, impostos e status, mas sua execução era desigual.
Sahel: Faixa ecológica ao sul do Saara, entre ambientes desérticos e savanas mais úmidas. Abrigou agricultura, pastoreio, cidades e estados ligados a rotas transaarianas.
Samanta: Termo sânscrito usado para subordinado, vizinho, senhor ou aliado em diferentes inscrições. Samantas podiam integrar hierarquias régias mantendo bases próprias de poder.
Samarra: Capital abássida entre 836 e 892, fundada ao norte de Bagdá. Seus palácios, mesquitas e bairros militares revelam a escala da corte e de novas tropas.
Shoen: Propriedade ou domínio no Japão, frequentemente associado a direitos fiscais e patronagem de aristocratas, templos e santuários. Os shoen ampliaram a sobreposição de jurisdições.
Sigilografia: Estudo de selos. Selos de chumbo romanos orientais e de outros contextos permitem identificar cargos, pessoas, instituições e circulação administrativa.
Srivijaya: Formação política marítima centrada em Sumatra desde o século VII. Exerceu influência sobre estreitos, portos e redes budistas sem possuir fronteiras territoriais modernas.
Sunismo: Conjunto majoritário de tradições islâmicas que reconheceu formas específicas de comunidade, autoridade e sucessão. Suas escolas e instituições consolidaram-se historicamente, não de uma vez em 632.
Tema: Circunscrição militar-administrativa do Império Romano oriental. Os temas desenvolveram-se progressivamente a partir do século VII.
Tianxia: Expressão chinesa geralmente traduzida como "Tudo sob o Céu". Designava uma ordem moral e política centrada no soberano, mas sua aplicação diplomática era negociada.
Transoxiana: Região além do rio Oxus, aproximadamente entre Amu Darya e Syr Darya. Cidades sogdianas, turcos, califados e poderes chineses disputaram suas rotas.
Ulemá: Plural aportuguesado de ulama, estudiosos das ciências religiosas islâmicas. Sua autoridade derivava de aprendizado, transmissão e reputação, não apenas de nomeação estatal.
Umma: Comunidade dos crentes ou comunidade muçulmana. A ideia possui dimensões religiosas e políticas que variaram conforme época e autor.
Vizir: Alto ministro ou coordenador administrativo em governos islâmicos. Poderes do cargo mudaram entre dinastias e reinados.
Wagadu/Gana: Formação política do Sahel ocidental. "Gana" era título ou nome usado por autores árabes; "Wagadu" aparece em tradições soninquês. A cronologia inicial é debatida.
Xiismo: Família de tradições islâmicas que atribui autoridade especial a Ali e a linhas de imãs ligadas à família do Profeta. Inclui correntes distintas, como imamitas e ismaelitas.
Zanj: Termo árabe usado para populações da África oriental em diferentes contextos. A revolta Zanj de 869-883 reuniu grupos diversos no sul do Iraque; sua composição não deve ser reduzida a uma única origem.