A.1 Como usar esta cronologia
A cronologia abaixo seleciona acontecimentos que alteraram a estrutura do poder. Ela não pretende listar todos os reis. Datas do terceiro e do segundo milênios são aproximadas; para o período paleo-babilônico e hitita, adota-se em geral a cronologia média. Use a coluna “significado” para transformar memorização em análise.
| Data aproximada | Centro ou região | Acontecimento | Significado analítico |
|---|---|---|---|
| c. 2500 a.C. | Sul mesopotâmico | guerras entre cidades como Lagash e Umma | hegemonias e administração precedem Akkad |
| c. 2350 | Uruk e sul | Lugalzagesi reúne cidades | precedente imediato da unificação sargônica |
| c. 2334-2279 | Akkad | reinado convencional de Sargão | formação do primeiro império territorial mesopotâmico bem documentado |
| c. 2278-2255 | Akkad | Rimush e Manishtushu reprimem revoltas | sucessão testa a coesão imperial |
| c. 2254-2218 | Akkad | Naram-Sin, grande rebelião e título universal | intensificação da ideologia imperial |
| c. 2200-2150 | Mesopotâmia | fragmentação de Akkad | combinação de crise interna, ambiente e poderes regionais |
| c. 2112 | Ur | Ur-Nammu funda Ur III | reunificação e linguagem de restauração |
| c. 2094-2047 | Ur | longo reinado de Shulgi | expansão administrativa, culto régio e infraestrutura |
| c. 2004 | Ur | conquista elamita e fim da dinastia | colapso do centro e sobrevivência institucional |
| c. 1950-1850 | Assur-Kanesh | auge da rede comercial paleoassíria | conectividade sem conquista territorial |
| c. 1813-1776 | Alta Mesopotâmia | reino de Shamshi-Adad I | integração dinástica vulnerável à sucessão |
| c. 1792-1750 | Babilônia | reinado de Hammurabi | expansão tardia e realeza de justiça |
| c. 1759 | Mari | conquista babilônica | fim de um grande arquivo palaciano regional |
| c. 1595 | Babilônia | incursão hitita de Mursili I | distância entre ataque, ocupação e sucessão política |
| c. 1550 | Egito | Ahmose inicia o Reino Novo | reunificação e expansão externa |
| c. 1479-1425 | Egito | Tutmés III e campanhas levantinas | consolidação de rede de vassalos |
| c. 1500-1350 | Alta Mesopotâmia | auge de Mitani | sistema regional multipolar |
| c. 1400-1155 | Babilônia | consolidação cassita | longa integração de dinastia externa à tradição local |
| c. 1353-1336 | Egito | Akhenaton e capital em Amarna | reforma religiosa e arquivo diplomático |
| c. 1344-1322 | Hatti | Suppiluliuma I | transformação hitita em grande império |
| c. 1274 | Cadesh | batalha entre Ramsés II e Muwatalli II | vitória propagandística sem decisão hegemônica |
| c. 1259 | Egito-Hatti | tratado de paz | estabilização da fronteira e aliança |
| c. 1200 | Mediterrâneo oriental | destruições e abandono de centros | crise multicausal e fim de sistemas palacianos |
| c. 1186-1155 | Egito | Ramsés III e retração externa | sobrevivência estatal sem restauração imperial |
| c. 911-859 | Assíria | reconquista gradual | início convencional do período neoassírio nesta coleção |
| 883-859 | Kalhu | Ashurnasirpal II constrói nova capital | monumentalização e campanha regular |
| 853 | Qarqar | coalizão enfrenta Shalmaneser III | limites da vitória inscrita e resistência coordenada |
| 745-727 | Assíria | Tiglate-Pileser III | provincialização e intensificação imperial |
| 722/720 | Samaria | conquista e reorganização assíria | anexação, deportação e reassentamento |
| 721-705 | Assíria | Sargão II e Dur-Sharrukin | nova dinastia e capital como legitimação |
| 701 | Judá | campanha de Senaqueribe | submissão regional e sobrevivência de Jerusalém |
| 689 | Babilônia | Senaqueribe destrói a cidade | limite político da repressão a um centro sagrado |
| 671 | Egito | Esarhaddon conquista Mênfis | máxima projeção e alto custo logístico |
| 663 | Egito | forças assírias alcançam Tebas | alcance temporário, não incorporação duradoura |
| 652-648 | Babilônia | guerra de Shamash-shumu-ukin | conflito dinástico e fratura imperial |
| 626 | Babilônia | Nabopolassar inicia rebelião | formação do Estado neobabilônico |
| 614-612 | Assur e Nínive | medos e babilônios tomam capitais | colapso acelerado do centro assírio |
| 609 | Harran | fim da resistência assíria organizada | encerramento convencional do império |
| 605 | Carquemis | vitória de Nabucodonosor II | domínio babilônico da Síria e Levante |
| 597 | Jerusalém | primeira conquista babilônica | deportação seletiva e governo subordinado |
| 587/586 | Jerusalém | destruição e nova deportação | fim da monarquia de Judá e memória do exílio |
| 539 | Babilônia | conquista por Ciro II | transição ao Império Aquemênida |
A.2 Cronologias que não devem ser confundidas
Cronologia política acompanha reinados e conquistas. Cronologia arqueológica acompanha fases de cerâmica, construção, destruição e assentamento. Cronologia textual acompanha produção, cópia e descoberta de documentos. Um texto sobre Sargão pode ter sido composto séculos depois; uma tabuinha pode ser cópia tardia de tradição antiga; uma camada destruída pode não corresponder ao rei que reivindicou a campanha.
Ao construir sua própria linha do tempo, use cores ou colunas separadas para acontecimentos, fontes e interpretações. Isso impede que a data da narrativa seja confundida com a data do evento narrado.