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Biblioteca digital de história e pensamento

12. China entre divisão e reunificação

A dinastia Jin Ocidental conquistou Wu em 280 e reuniu grande parte da China. Disputas entre príncipes e comandantes enfraqueceram o governo. No início do século IV, Luoyang e Chang’an foram perdidas, e a corte Jin se restabeleceu no sul, em Jiankang. Grandes migrações levaram famílias e instituições para a região do Yangzi. No norte,…

12.1 Da reunificação Jin à divisão

A dinastia Jin Ocidental conquistou Wu em 280 e reuniu grande parte da China. Disputas entre príncipes e comandantes enfraqueceram o governo. No início do século IV, Luoyang e Chang'an foram perdidas, e a corte Jin se restabeleceu no sul, em Jiankang. Grandes migrações levaram famílias e instituições para a região do Yangzi.

No norte, os chamados Dezesseis Reinos foram mais numerosos e variados que o rótulo. Governantes de origens xiongnu, jie, di, qiang, xianbei e chinesas adotaram títulos imperiais, burocracias, agricultura e patronato religioso. Tratar o período como domínio estrangeiro sobre uma China passiva ignora novas comunidades políticas multiétnicas.

12.2 Dinastias do Sul

Jin Oriental e as dinastias Liu Song, Qi do Sul, Liang e Chen governaram o sul. Elites emigradas reivindicavam cultura do norte, mas dependiam de famílias e populações meridionais. A região do Yangzi cresceu em produção, cidades e importância demográfica, processo de longa duração.

Jiankang tornou-se uma das maiores cidades do mundo. Cortes patrocinavam literatura, budismo e administração. Rivalidades entre famílias aristocráticas, generais e imperadores limitavam estabilidade. As dinastias mudavam sem destruir toda a infraestrutura precedente.

12.3 Wei do Norte

Os Tuoba Xianbei fundaram Wei do Norte e reunificaram o norte em 439. O Estado combinou tradições de estepe, burocracia chinesa, colonização militar e budismo. A corte transferiu a capital de Pingcheng para Luoyang em 494 e adotou reformas de nomes, vestuário e casamento frequentemente chamadas de sinicização.

"Sinicização" pode sugerir abandono unilateral de uma identidade por outra. Estudos recentes enfatizam síntese e criação de uma aristocracia nova. Instituições de terras iguais, registros domiciliares e guarnições ligavam famílias ao Estado, embora aplicação variasse. As cavernas de Yungang e Longmen mostram patronato imperial e tradução visual do budismo.

12.4 Budismo, tradução e peregrinação

Monges e textos viajaram da Índia e Ásia Central para a China. Kumārajīva, ativo em Chang'an no início do século V, liderou traduções influentes. Faxian viajou no sentido inverso em busca de regras monásticas e manuscritos. Tradução exigia equipes, patronato e escolhas conceituais; não era substituição mecânica de palavras.

Mosteiros acumulavam terras, doações e autoridade, gerando apoio e crítica. Governantes podiam patrocinar e depois restringir instituições. O taoismo também se organizou em movimentos, textos e rituais. Confucionismo permaneceu importante para família, educação e governo, ainda que o período não possa ser reduzido a "três religiões" isoladas.

12.5 Sui e a reunificação

Wei do Norte dividiu-se em 534; Wei Oriental/Norte Qi e Wei Ocidental/Norte Zhou competiram. O Norte Zhou conquistou o rival em 577. Yang Jian tomou o trono e fundou Sui em 581; em 589, derrotou Chen e reuniu norte e sul.

Sui reorganizou administração, tributação, canais e exércitos. O Grande Canal conectou bacias e permitiu mover grãos. Campanhas contra Goguryeo consumiram recursos e contribuíram para rebeliões. A dinastia caiu em 618, mas instituições foram herdadas e reformuladas por Tang.

12.6 Início Tang e dimensão eurasiática

Tang consolidou-se sob Gaozu e Taizong. Em 630, derrotou o Canato Turco Oriental e incorporou líderes e populações de origens diversas. Chang'an tornou-se centro de uma ordem imperial que dialogava com Ásia Central, Coreia e planícies chinesas.

O cosmopolitismo Tang não deve ser romantizado como tolerância moderna. Abertura, comércio e circulação coexistiam com conquista, classificação de estrangeiros e hierarquias. Até 650, o império estava em expansão; sua história plena pertence ao volume seguinte, mas sua ascensão encerra a longa transformação pós-Han.

Sincronismo: Quando Sui reunificou a China em 589, Roma oriental e o Império Sassânida iniciavam nova fase de guerra; reinos pós-gupta dominavam a Índia; e os Gokturks controlavam amplas zonas da Ásia interior.

Leituras-base do capítulo: Dien e Knapp, eds., The Cambridge History of China, vol. 2; Lewis, China Between Empires; Holcombe, A History of East Asia; Xiong, Emperor Yang of the Sui Dynasty; Yang, Early Tang China and the World.