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Biblioteca CENC

Biblioteca digital de história e pensamento

13. Tibete, turcos, uigures, cazares e impérios das estepes

Após o primeiro khaganato turco dividir-se e sofrer dominação Tang, elites Ashina restauraram um khaganato oriental em 682. As inscrições de Orkhon, associadas a Kül Tegin, Bilge Khagan e Tonyukuk no século VIII, apresentam uma linguagem política em turco antigo: o Céu concede mandato; o khagan alimenta e organiza o povo; desunião e sedução por…

13.1 Segundo khaganato turco e memória de Orkhon

Após o primeiro khaganato turco dividir-se e sofrer dominação Tang, elites Ashina restauraram um khaganato oriental em 682. As inscrições de Orkhon, associadas a Kül Tegin, Bilge Khagan e Tonyukuk no século VIII, apresentam uma linguagem política em turco antigo: o Céu concede mandato; o khagan alimenta e organiza o povo; desunião e sedução por bens estrangeiros ameaçam a ordem. São monumentos de elite e programas de memória, não transcrições neutras.

O governo combinava linhagens dinásticas, assembleias, tributo, redistribuição e mobilização de confederações. Controle dependia de manter seguidores e rotas, por isso fronteiras mudavam rapidamente sem significar ausência institucional.

13.2 Khaganato Uigur

Uigures derrubaram o segundo khaganato em 744 e construíram um império centrado na Mongólia. Apoiaram Tang contra An Lushan e receberam seda e vantagens comerciais. Ordu-Baliq, capital murada, evidencia que impérios pastoris podiam manter cidades e artesãos. A adoção do maniqueísmo pela corte após contato com a China ligou governantes a comunidades sogdianas, mas a população manteve práticas diversas.

Em 840, ataques quirguizes e crises internas destruíram o centro mongol. Grupos uigures migraram para Gansu e bacia do Tarim, onde criaram novos estados e culturas escritas. A queda de um khaganato não eliminou seu povo.

13.3 Império Tibetano

Songtsen Gampo e sucessores unificaram partes do planalto tibetano no século VII e expandiram-se para Nepal, Ásia Central e fronteiras Tang. Administração, correio, exército e um sistema de escrita sustentaram o império. Tratados sino-tibetanos, documentos de Dunhuang e os Anais Tibetanos Antigos permitem reconstruir campanhas e sucessões. A famosa ideia de casamento diplomático como simples "pacificação" chinesa reduz a agência tibetana.

No século VIII, o budismo recebeu patrocínio crescente, ao lado de rituais locais. O império ocupou Chang'an brevemente em 763 e disputou o corredor de Hexi. Crises de sucessão e conflitos religiosos e aristocráticos contribuíram para sua fragmentação no século IX.

13.4 Cazares e o corredor ocidental

O khaganato cazar controlou áreas entre mar Negro, Cáucaso e baixo Volga. Sua posição permitia cobrar tributos e conectar comércio com califado, Bizâncio e estepes. Fontes árabes, hebraicas, bizantinas e arqueologia indicam conversão de parte da elite ao judaísmo, mas data, alcance e motivações permanecem debatidos. A população incluía várias línguas e religiões.

Uma divisão entre khagan sacral e governante militar aparece em descrições externas; sua prática pode ter variado. Os cazares foram parceiros e inimigos de Roma oriental e do califado, bloqueando ou mediando movimentos no Cáucaso.

13.5 Magiares, pechenegues e recomposição das estepes

Magiares moveram-se por zonas pônticas e estabeleceram-se na bacia dos Cárpatos no final do século IX. Suas campanhas alcançaram Europa ocidental e Bizâncio antes da consolidação de uma monarquia cristã sob Estêvão, coroado por volta de 1000. Pechenegues ocuparam áreas das estepes e atuaram em alianças, comércio e guerra com rus, búlgaros e romanos.

Migrações não eram deslocamentos de povos inteiros como blocos fechados. Confederações incorporavam grupos, mudavam nomes políticos e reorganizavam identidades conforme liderança e ambiente.

13.6 Cavalos, cidades, religiões e arquivos

Pastoralismo móvel permitia usar áreas de baixa densidade agrícola e concentrar força militar, mas dependia de intercâmbio com agricultores e oásis. Cavalos, gado, tecidos, metais, grãos e pessoas circulavam. Sogdianos e outros comerciantes serviam como diplomatas e escribas. Budismo, maniqueísmo, cristianismo, islamismo, judaísmo e rituais locais atravessavam as mesmas rotas.

FormaçãoNúcleo ecológicoRecurso políticoConexõesEvidência-chave
Turcos e uiguresMongólia e corredores de estepeConfederação, tributo, cavalaria, redistribuiçãoTang, Sogdiana, TarimInscrições de Orkhon, cidades, fontes chinesas
TibetePlanalto e oásisExército, escrita, correio, aliançasTang, Nepal, Índia, Ásia CentralAnais antigos, tratados, documentos de Dunhuang
CazaresVolga, Cáucaso e mar NegroTributo, rotas e dupla liderançaCalifado, Bizâncio, RusFontes multilíngues e arqueologia
Magiares e pecheneguesEstepe pôntica e CárpatosSéquitos, mobilidade, acordosBizâncio, Europa central, RusCrônicas externas e cemitérios

Leituras-base do capítulo: Christopher I. Beckwith, The Tibetan Empire in Central Asia; Jonathan Karam Skaff, Sui-Tang China and Its Turko-Mongol Neighbors; Peter B. Golden, An Introduction to the History of the Turkic Peoples; Nicola Di Cosmo, Ancient China and Its Enemies; Sören Stark, Die Alttürkenzeit in Mittel- und Zentralasien.