12.1 Harsha e o norte pós-Gupta
Harshavardhana governou a partir de Kanauj entre 606 e 647 e construiu uma hegemonia sobre partes do norte da Índia. Inscrições, literatura de corte e o peregrino Xuanzang registram seu poder, mas a extensão de controle direto é debatida. Sua derrota diante do chalukya Pulakeshin II no Narmada mostra que o Decão não era periferia obediente. Após sua morte, nenhuma dinastia manteve a mesma coalizão.
O caso evidencia diferença entre título universal, tributo de aliados e administração cotidiana. Um rei podia ser celebrado como senhor de muitos reis sem governar cada aldeia por funcionários próprios.
12.2 Palas, Gurjara-Pratiharas e Rashtrakutas
Entre os séculos VIII e X, Palas no leste, Gurjara-Pratiharas no norte e Rashtrakutas no Decão competiram por prestígio e por Kanauj. A antiga expressão "luta tripartite" organiza a narrativa, mas não deve reduzir dezenas de poderes regionais a três protagonistas. Campanhas produziam tributo, saque, casamento e reconhecimento, frequentemente sem anexação duradoura.
Palas patrocinaram instituições budistas como Nalanda e Vikramashila; Pratiharas articularam redes do Rajastão e Ganges; Rashtrakutas conectaram Decão a rotas do oeste e patrocinaram arte rupestre em Ellora.
12.3 Pallavas, Chalukyas e ascensão Chola
No sul, Pallavas centrados em Kanchipuram e Chalukyas de Badami competiram por áreas do Decão e Tamilakam. Templos em Mahabalipuram e Pattadakal materializam patronagem e oficinas, não apenas propaganda de um rei. Cholas de Vijayalaya cresceram no século IX; sob Aditya I e Parantaka I ampliaram recursos no vale do Kaveri. O grande império naval e territorial Chola pertence sobretudo ao século XI, embora suas bases sejam visíveis antes de 1000.
Reinos Pandya, Chera e chefias locais continuaram relevantes. O sul não seguia uma linha única de sucessão imperial.
12.4 Doações de terra, samantas e debate feudal
Placas de cobre registram concessões a brâmanes, templos, mosteiros e oficiais, às vezes transferindo receitas, imunidades e direitos sobre habitantes. Samantas podiam ser subordinados, aliados ou antigos rivais integrados à hierarquia. Alguns historiadores interpretaram a multiplicação de doações como "feudalismo indiano" e declínio do comércio; outros demonstraram urbanização regional, monetização variável e expansão agrária.
O debate não se resolve escolhendo entre centralização e fragmentação. Concessões criavam novos centros de poder e ampliavam cultivo, ao mesmo tempo que reduziam controle direto e aumentavam obrigações camponesas.
12.5 Templos, comércio e oceano Índico
Templos acumulavam terras, recebiam doações, empregavam especialistas e organizavam festivais. Não eram apenas edifícios religiosos nem bancos equivalentes aos modernos. Mercadores e corporações aparecem em inscrições; portos do Gujarat, Konkan, Malabar e costa Coromandel conectavam Golfo, África oriental e Sudeste Asiático. Cavalos importados eram recurso militar valioso; tecidos e especiarias circulavam em sentido contrário.
Comunidades judaicas, cristãs e muçulmanas estabeleceram-se em zonas costeiras em cronologias por vezes difíceis de precisar. Tradições posteriores devem ser comparadas com epigrafia e arqueologia.
12.6 Sociedade, religiões e conhecimento
Categorias de varna conviviam com grande diversidade de jatis, ocupações e comunidades. Inscrições revelam camponeses, artesãos, comerciantes e mulheres doadoras, mas as elites são super-representadas. Escravidão e dependência existiam em formas regionais. Cultos de Shiva, Vishnu e deusas cresceram por bhakti, templos e textos; budismo e jainismo permaneceram ativos; tradições tântricas circularam entre comunidades religiosas.
Matemáticos e astrônomos como Brahmagupta influenciaram tradições indianas e, por traduções, estudiosos do mundo islâmico. A circulação não foi linha de "transmissão da Índia para o Ocidente", mas cadeia de seleção, tradução e inovação.
Debate central: "Regionalização" não significa decadência após os Guptas. Ela pode indicar criação de novas línguas políticas, áreas agrárias, templos, mercados e dinastias. Avalie separadamente escala imperial, vitalidade econômica e experiência social.
Leituras-base do capítulo: Upinder Singh, A History of Ancient and Early Medieval India; Hermann Kulke e Dietmar Rothermund, A History of India; Burton Stein, A History of India; B. D. Chattopadhyaya, The Making of Early Medieval India; Daud Ali, Courtly Culture and Political Life in Early Medieval India.