Apêndice E. Laboratório de fontes e atividades

Quem produziu a fonte e em qual posição social? Quando foi produzida em relação ao acontecimento narrado? Qual era o público e a finalidade? Que vocabulário político ou religioso organiza o texto ou objeto? O que a fonte permite afirmar com segurança? O que precisa de comparação com arqueologia, registros ou outras narrativas? Quais grupos…

E.1 Protocolo de leitura em sete perguntas

  1. Quem produziu a fonte e em qual posição social?
  2. Quando foi produzida em relação ao acontecimento narrado?
  3. Qual era o público e a finalidade?
  4. Que vocabulário político ou religioso organiza o texto ou objeto?
  5. O que a fonte permite afirmar com segurança?
  6. O que precisa de comparação com arqueologia, registros ou outras narrativas?
  7. Quais grupos aparecem apenas pelo olhar de terceiros ou não aparecem?

E.2 Dossiê 1 – edito do imperador Hongwu

Contexto: instruções e editos Ming buscavam disciplinar funcionários e comunidades após guerra e mudança dinástica.

Potencial: revelam modelo de bom governo, linguagem moral e problemas que a corte considerava graves.

Limite: uma proibição repetida pode indicar descumprimento, não obediência. O texto não prova aplicação uniforme.

Atividade: separe três colunas: comportamento desejado, mecanismo de fiscalização e indício de problema real. Compare a retórica com um estudo sobre registros locais.

E.3 Dossiê 2 – relato de Clavijo sobre Samarcanda

Contexto: embaixador de Castela visitou a corte timúrida no início do século XV.

Potencial: descreve cerimônias, jardins, construções, pessoas e circulação diplomática.

Limite: observador estrangeiro selecionava o extraordinário e dependia de intérpretes.

Atividade: marque observação direta, informação ouvida e avaliação cultural. Teste uma descrição com arquitetura ou arqueologia.

E.4 Dossiê 3 – crônicas otomanas e bizantinas sobre 1453

Contexto: autores explicaram a conquista de Constantinopla por tradições políticas e religiosas diferentes.

Potencial: permitem estudar estratégia, memória, legitimidade e experiência de ruptura.

Limite: discursos e números podem ser construções literárias. Autores posteriores conheciam o resultado.

Atividade: compare como cada narrativa atribui agência a governante, religião, tecnologia, defensores e população. Produza uma síntese que cite divergências.

E.5 Dossiê 4 – inscrições de Vijayanagara

Contexto: inscrições registravam doações, títulos, obras e direitos em templos e espaços públicos.

Potencial: identificam patronos, territórios, línguas e instituições.

Limite: fórmula de elogio não equivale a descrição territorial precisa. Sobrevivência é desigual.

Atividade: diferencie informação administrativa, genealogia e elogio. Localize o lugar citado em mapa histórico.

E.6 Dossiê 5 – Nagarakretagama e Majapahit

Contexto: poema de corte do século XIV celebra Hayam Wuruk e lista lugares relacionados a Majapahit.

Potencial: revela cosmologia política, itinerários e visão cortesã da autoridade.

Limite: uma lista de lugares não prova ocupação ou tributação uniforme.

Atividade: classifique cada menção como centro, aliado, parceiro ritual ou dependência possível. Compare com arqueologia portuária.

E.7 Dossiê 6 – Ibn Battuta em Mali e Kilwa

Contexto: viajante marroquino percorreu amplas regiões no século XIV; o relato foi organizado com ajuda literária.

Potencial: descreve corte, viagens, segurança, gênero, religião e cidades.

Limite: expectativas jurídicas e culturais moldam elogios e críticas; certas informações vieram de terceiros.

Atividade: identifique uma prática que o autor aprova e outra que reprova. Explique o que isso revela sobre o autor e sobre a sociedade observada.

E.8 Dossiê 7 – manuscritos de Timbuktu

Contexto: bibliotecas familiares preservaram manuscritos sobre direito, teologia, gramática, ciência, comércio e correspondência.

Potencial: demonstram redes intelectuais africanas e usos sociais da escrita.

Limite: muitos exemplares são posteriores ao recorte; data de cópia não é sempre a data da composição.

Atividade: registre título, autor, copista, data, marginalia e proveniência. Não generalize um manuscrito para toda a África ocidental.

E.9 Dossiê 8 – Códice Mendoza e tributo mexica

Contexto: produzido no início do período colonial, combina tradições pictográficas indígenas e explicações para autoridades espanholas.

Potencial: lista províncias, bens e quantidades; representa conquistas e educação.

Limite: seleção colonial, tradução e convenções visuais exigem análise. Lista esperada não prova entrega integral.

Atividade: escolha uma província, identifique produtos e relacione-os à ecologia. Pergunte quem produzia, transportava e registrava.

E.10 Dossiê 9 – quipus e registros coloniais andinos

Contexto: quipus sobreviveram em número limitado; documentos coloniais registram intérpretes e usos.

Potencial: revelam contabilidade, categorias, relações e memória administrativa.

Limite: significado depende da estrutura completa, proveniência e conhecimento dos especialistas. Não existe tradução universal pronta.

Atividade: observe cor, material, posição e nós antes de atribuir significado. Compare com um documento que mencione khipukamayuq.

E.11 Dossiê 10 – registros de peste

Contexto: crônicas, testamentos, listas fiscais, cemitérios e DNA antigo respondem a perguntas diferentes.

Potencial: juntos permitem estudar patógeno, mortalidade, respostas e desigualdade.

Limite: sintomas textuais não identificam sozinhos a bactéria; DNA de um sítio não prova distribuição continental.

Atividade: construa uma matriz com tipo de evidência, escala, margem de erro e inferência permitida. Marque claramente “seguro”, “provável” e “debatido”.

E.12 Oficina de produção autoral para blog

Escolha uma pergunta estreita, como “Como Malaca transformou posição geográfica em poder?” ou “Por que o tributo mexica não significava administração direta?”. Produza um artigo entre 1.200 e 1.800 palavras com:

  1. Título que apresente problema, não promessa sensacionalista.
  2. Tese em um parágrafo.
  3. Duas ou três evidências de tipos diferentes.
  4. Uma objeção ou interpretação concorrente.
  5. Um quadro de coexistência com pelo menos três formações da mesma data.
  6. Grau de certeza para números e causalidades.
  7. Bibliografia e créditos de imagens com licença.

E.13 Perguntas de revisão

  1. Por que 1300-1500 não pode ser chamado de “fim da Idade Média” em escala global sem qualificação?
  2. Quais heranças mongóis continuaram depois da fragmentação política?
  3. Como Ming combinou centralização e dependência local?
  4. Por que a legitimidade timúrida precisava da linhagem de Chinggis Khan?
  5. Quais fatores, além da religião, ajudam a explicar a expansão otomana?
  6. Por que Delhi e Vijayanagara não devem ser reduzidos a blocos religiosos opostos?
  7. Como Malaca exerceu influência com domínio territorial relativamente limitado?
  8. Compare burocracia Joseon e governo Muromachi.
  9. O que os manuscritos de Timbuktu mudam em narrativas sobre história intelectual africana?
  10. Como objetos importados devem ser usados para estudar cidades suaílis?
  11. Compare tributo mexica e mit'a inca.
  12. Quais fontes tornam a história da peste simultaneamente mais segura e mais complexa?
  13. Por que 1453 não “fechou” todo o comércio oriental?
  14. Identifique um caso em que derrota militar não produziu colapso do Estado.
  15. Explique como colaboração e coerção podiam coexistir na mesma relação imperial.