Biblioteca digital de história e pensamento
DICIONÁRIO GERAL
529 conceitos, instituições, títulos e categorias históricas harmonizados a partir dos glossários dos 14 volumes de História Comparada — Impérios.
Dinastia califal que tomou o poder no Oriente em 750 e governou a partir do Iraque. Mesmo quando perdeu comando direto sobre províncias, o califa abássida permaneceu referência de legitimidade para muitos muçulmanos sunitas.
Encerramento jurídico de um regime de escravidão. Pode resultar de guerra, lei, resistência, fuga e negociação. Não deve ser confundida com igualdade material imediata nem com desaparecimento de toda coerção laboral.
Conjunto plural de movimentos contra tráfico e escravidão. Reuniu pessoas escravizadas e livres, organizações negras, grupos religiosos, parlamentares, trabalhadores e autores. Não deve ser atribuído a uma única nação.
Conceito usado para pretensões de soberania concentrada em monarcas europeus. Não significa poder sem limites práticos; cortes, privilégios, tribunais, crédito e províncias continuavam a mediar decisões.
Língua semítica escrita em cuneiforme, com variedades babilônica e assíria. Também nomeia, em contexto político, a dinastia e o império de Akkad.
Presença de agentes e instituições do centro com capacidade recorrente de ordenar e cobrar; raramente cobre todo um império da mesma maneira.
Forma colonial que governa por autoridades locais reconhecidas ou recriadas pelo poder imperial. Reduz custos, mas transforma legitimidade, território e responsabilidade.
Conjunto de autoridades e instituições que executam políticas do centro em unidades territoriais. Pode combinar funcionários enviados e elites locais.
Uso do alfabeto árabe para escrever línguas africanas e outras línguas não árabes. Manuscritos ajami preservam ensino, poesia, administração e debate político frequentemente ausentes de arquivos coloniais.
Transferência de recursos, crédito, conhecimento ou equipamentos entre governos e instituições. Pode apoiar reconstrução e serviços, mas também criar dependência, condições políticas e vantagens para o doador.
Assentamento colonial, frequentemente missionário, que reunia populações indígenas para conversão, trabalho, defesa e administração. Podia oferecer mediação e também impor deslocamento e disciplina.
Conjunto de regras para processar informação e produzir resultado. Seu poder político depende de dados, objetivos, infraestrutura, auditoria e contexto de uso.
Compromisso entre Estados com obrigações específicas. Não significa resposta automática a qualquer conflito; texto, planejamento, interesse e decisão política definem seu alcance.
Pacto entre membros com capacidades muito diferentes. O parceiro menor conserva governo e interesses próprios, embora enfrente custos maiores para recusar decisões do membro dominante.
Entrada de novos membros numa organização. Altera fronteiras institucionais, distribuição de votos, obrigações e percepção externa de segurança.
Aplicação indevida de conceito, valor ou instituição de uma época a outra. Evita-se explicando diferenças históricas do termo utilizado.
Inscrições que organizam campanhas e realizações de um rei, muitas vezes por ano ou sequência. São fontes políticas e literárias, não relatórios neutros.
Incorporação formal de território à soberania de um Estado. Não garante controle cotidiano uniforme.
Sistema e conjunto de operações ligados ao abastecimento, especialmente cereal, de Roma e posteriormente de exércitos e cidades.
Crítica e ação contra dominação colonial. Inclui projetos de autonomia, reforma, independência, boicote, associação, religião, sindicato, imprensa e resistência armada.
Categoria moderna para sociedades da Mesopotâmia, Anatólia, Levante, Egito, Irã e regiões conectadas. Seus limites variam conforme o problema estudado.
Categoria historiográfica para transformações aproximadamente entre os séculos III e VIII; seus limites variam conforme região e tema.
Política que combinou preconceito religioso anterior com nacionalismo racial, teorias pseudocientíficas e mobilização de massa. A emancipação jurídica de judeus não eliminou discriminação.
Sistema jurídico e político de classificação racial, segregação territorial e exclusão da maioria, organizado pelo Estado sul-africano e desmantelado por negociação entre 1990 e 1994.
Pessoa que nenhum Estado reconhece como nacional segundo sua legislação. A condição limita documentos, mobilidade, participação e acesso regular a direitos.
Política de negociar ou aceitar revisões para evitar conflito maior. No caso dos anos 1930, reuniu cálculo estratégico, restrição militar, opinião pública e interpretações equivocadas; não é sinônimo suficiente de passividade.
Dinastia persa que governou o império de Ciro II a Dario III. O nome deriva de Aquêmenes, ancestral reivindicado pela casa real.
Expansão do uso do árabe em administração, religião, literatura e vida urbana. O processo teve ritmos regionais e não deve ser confundido automaticamente com conquista ou conversão ao Islã.
Língua semítica difundida no primeiro milênio a.C. Tornou-se meio importante de comunicação e administração em vários impérios.
Conjunto de práticas escritas em aramaico utilizado amplamente na administração aquemênida. Não eliminou outras línguas e possuía variações regionais.
Fundador da dinastia sassânida, vencedor do rei arsácida Artabano IV em 224 e coroado em Ctesifonte por volta de 226.
Conjunto de documentos produzido ou reunido por uma instituição, casa ou agente. Sua composição e sobrevivência refletem seleção, uso e acaso arqueológico.
Dinastia que governou o Império Parto. “Arsaces” funcionou como nome dinástico em moedas e titulatura.
Contrato da Monarquia Hispânica concedendo a particulares direitos e obrigações, especialmente o fornecimento de pessoas africanas escravizadas às colônias. Ligava coroa, crédito e redes mercantis internacionais.
Política que exige adoção de idioma, escola, religião ou normas do grupo dominante em troca de reconhecimento limitado. Pode ocorrer em Estados nacionais, colônias e fronteiras de povoamento.
Campo que estuda línguas, textos, história e culturas da Mesopotâmia cuneiforme. Inclui filologia, história, arqueologia e áreas especializadas.
Governante da confederação huna europeia entre 434 e 453; negociou, recebeu pagamentos e guerreou com as duas cortes romanas.
Tribunal superior e órgão consultivo da América espanhola. Julgava recursos, fiscalizava autoridades e podia governar interinamente; sua relação com vice-reis era de cooperação e tensão.
Título imperial romano. Na Tetrarquia, designava cada um dos dois governantes superiores em relação aos césares.
Projeto de reduzir dependência externa por controle de comércio, produção e recursos. Nenhuma potência do período alcançou autossuficiência completa; blocos autárquicos frequentemente exigiam império.