10.1 Xuanzong e as tensões do século VIII
O longo reinado de Xuanzong, iniciado em 712, foi lembrado como auge cultural e desastre final. Expansão de comandos fronteiriços concentrou tropas sob governadores militares, os jiedushi. A corte dependia de ministros, eunucos e favoritos em competição. A narrativa moral que culpa indivíduos próximos ao imperador simplifica problemas de finanças, fronteiras e comando.
O crescimento de propriedades e a mobilidade populacional enfraqueceram registros de terra e famílias, tornando os sistemas fiscais do início Tang menos eficazes.
10.2 Rebelião de An Lushan
An Lushan, comandante de origem centro-asiática, rebelou-se em 755 e ocupou Luoyang e Chang'an. A guerra prolongou-se até 763 e causou deslocamentos, fome e ruptura fiscal. Números populacionais dos censos antes e depois não podem ser lidos diretamente como contagem de mortos, pois registram também perda de controle administrativo. Ainda assim, a devastação foi extensa.
Tang recuperou as capitais com apoio uigur e negociação com comandantes regionais. A dinastia sobreviveu, porém mais dependente de governadores e arranjos locais.
10.3 Nova fiscalidade e poderes provinciais
Em 780, a política dos Dois Impostos buscou cobrar segundo propriedade e riqueza em duas etapas anuais, reduzindo dependência de antigas cotas de trabalho e registros uniformes. O uso crescente de dinheiro refletia comercialização, mas impostos continuavam a variar. Governadores militares retinham parte da receita, mantinham exércitos e podiam transmitir posições a herdeiros.
Regionalização não significou separação completa. Muitos governadores buscavam títulos Tang e participavam de uma ordem dinástica compartilhada. Centro e províncias estavam em interdependência conflitiva.
10.4 Eunucos, corte e religião
Eunucos comandaram a guarda palaciana, controlaram acesso ao imperador e às vezes influenciaram sucessões. Textos de letrados os apresentam como causa de decadência, mas esse julgamento reflete rivalidade institucional. Sua força vinha de funções militares e proximidade pessoal criadas pela própria monarquia.
Em 845, o imperador Wuzong promoveu supressão de mosteiros budistas e restrições a outras religiões estrangeiras. Motivações fiscais, políticas e daoistas combinaram-se. O budismo não desapareceu; instituições perderam propriedades, monges foram secularizados e tradições se reorganizaram.
10.5 Comércio, impressão e mudanças culturais
Mercados regionais, transporte fluvial e cidades do sul cresceram. Guangzhou conectava comerciantes do oceano Índico; Yangzhou articulava sal, canais e riqueza. Impressão por blocos de madeira ampliou produção de calendários, textos budistas e outros materiais. O Sutra do Diamante de 868 é o mais antigo livro impresso completo com data que sobreviveu, não a origem absoluta da impressão.
Literatura e pintura expressaram deslocamentos após a rebelião. A cultura Tang tardia não foi apenas declínio: novas elites regionais e práticas religiosas prepararam transformações do período Song.
10.6 Queda Tang, Cinco Dinastias, Liao e Song
A rebelião de Huang Chao, iniciada em 874, abalou capitais e redes fiscais. Zhu Wen depôs o último imperador Tang em 907. No norte, cinco dinastias sucederam-se rapidamente; no sul, vários reinos desenvolveram cortes, comércio e administrações. Os khitan fundaram Liao em 907 e construíram um império capaz de governar populações pastoris e agrícolas por instituições diferenciadas.
Zhao Kuangyin fundou Song em 960 e reunificou grande parte do território chinês, mas não conquistou Liao. O ano 1000, portanto, não marca restauração de um império único: Song, Liao, Dali, estados coreanos e vizinhos coexistiam.
Como interpretar censos: Uma queda abrupta de domicílios registrados pode combinar mortes, fuga, registros perdidos, territórios fora de controle e mudança fiscal. Não converta automaticamente a diferença entre dois censos em número de vítimas.
Leituras-base do capítulo: Mark Edward Lewis, China's Cosmopolitan Empire; Nicolas Tackett, The Destruction of the Medieval Chinese Aristocracy; David A. Graff, Medieval Chinese Warfare; Naomi Standen, Unbounded Loyalty; Valerie Hansen, The Open Empire.