11.1 Desenvolvimento como promessa estatal
Depois de 1945, desenvolvimento tornou-se linguagem compartilhada por governos capitalistas, socialistas e não alinhados. Indicadores de renda, produção, alfabetização e saúde converteram sociedades em objetos comparáveis. Planos definiam setores prioritários, infraestrutura e metas. A promessa de superar pobreza legitimava novos Estados e instituições internacionais.
O conceito não era neutro. Quem definia necessidade, tecnologia adequada e população produtiva? Grandes barragens e projetos agrícolas podiam gerar energia e deslocar comunidades. Estatística nacional podia esconder desigualdade regional e trabalho não remunerado.
11.2 Industrialização por substituição de importações
Brasil, México, Argentina, Índia e outros países protegeram indústria, criaram empresas estatais e administraram câmbio. A estratégia buscava reduzir dependência de manufaturas importadas. Produziu capacidade industrial e empregos urbanos, mas dependia de máquinas, tecnologia, petróleo e financiamento externos.
Mercados internos desiguais, inflação e restrições cambiais limitaram resultados. Não existe oposição simples entre Estado e mercado: bancos públicos, tarifas, empresas privadas e multinacionais frequentemente coexistiam.
11.3 Reforma agrária e Revolução Verde
Terra era base de cidadania, imposto, poder local e produção. Japão, Taiwan e Coreia do Sul realizaram reformas profundas em contexto de ocupação e segurança. México, Índia, Egito, Bolívia e vários países africanos produziram modelos incompletos ou regionais. Proprietários, camponeses, cooperativas e burocracias disputaram implementação.
Sementes de alto rendimento, irrigação, fertilizantes e crédito ampliaram colheitas em algumas regiões. Benefícios dependiam de terra, água e acesso a insumos. A expressão Revolução Verde descreve pacote técnico-institucional, não milagre agrícola universal.
11.4 Recursos naturais, nacionalização e empresas
Petróleo iraniano, canal egípcio, cobre chileno, bauxita, estanho e minas africanas foram apresentados como fundamentos de soberania. Nacionalização podia transferir propriedade sem garantir tecnologia, transporte, mercado ou gestão. Empresas transnacionais negociavam impostos e concessões, enquanto governos buscavam joint ventures e quadros técnicos.
Cartéis de produtores e OPEP tentaram transformar recurso em poder coletivo. A capacidade dependia de coordenação, demanda, substitutos e diferenças entre membros.
11.5 Dependência e Nova Ordem Econômica Internacional
Economistas latino-americanos destacaram centro e periferia, deterioração de termos de troca e estrutura produtiva. Teorias da dependência divergiram sobre capitalismo nacional, classe e possibilidade de desenvolvimento associado. Na África e Ásia, debates semelhantes analisaram moeda, comércio, empresas e heranças coloniais.
A NIEO de 1974 traduziu críticas em programa internacional. O choque do petróleo inicialmente fortaleceu produtores, mas importadores sofreram. Recessão, juros e dívida nos anos 1980 enfraqueceram barganha coletiva.
11.6 Gênero, trabalho e desenvolvimento
Políticas tratavam frequentemente homens como produtores e mulheres como dependentes, mesmo quando trabalho feminino sustentava agricultura, comércio e família. Associações, pesquisadoras e organismos internacionais demonstraram essa invisibilidade. Educação e emprego ampliaram oportunidades de maneira desigual; legislação não eliminou hierarquias domésticas e salariais.
| Estratégia | Instrumento | Ganho possível | Limite recorrente |
|---|---|---|---|
| Industrialização protegida | Tarifa, câmbio e empresa estatal | Capacidade produtiva | Importação de tecnologia e mercado desigual |
| Reforma agrária | Limite de propriedade e redistribuição | Produtividade e cidadania | Resistência política e crédito insuficiente |
| Nacionalização | Lei, compra ou expropriação | Receita e controle | Tecnologia, gestão e acesso a mercados |
| Ajuda e empréstimo | Projeto e financiamento externo | Infraestrutura e divisas | Condição, dívida e prioridade do doador |
| Cooperação Sul-Sul | Comércio, treinamento e diplomacia | Autonomia coletiva | Recursos e interesses distintos |
Mito versus evidência: Mito: desenvolvimento era escolha entre mercado ocidental e planejamento soviético. Evidência: governos combinaram proteção, empresa estatal, capital privado, ajuda, planejamento e comércio em arranjos híbridos.
Leituras-base do capítulo: Frederick Cooper, Africa since 1940; Eric Helleiner, Forgotten Foundations of Bretton Woods; Amy L. S. Staples, The Birth of Development; Corinna R. Unger, International Development.