17. De 1985 a 1991: reformas, revoluções e dissolução da ordem bipolar

Mikhail Gorbachev assumiu liderança soviética em 1985 diante de crescimento lento, custos militares e baixa inovação. Perestroika buscou reestruturação; glasnost ampliou debate e informação. Reformas econômicas parciais alteraram coordenação sem criar sistema estável de mercado. Abertura política reduziu capacidade de impor decisões e revelou conflitos acumulados. Nova política externa procurou reduzir corrida armamentista, re

17.1 Gorbachev e reforma do sistema

Mikhail Gorbachev assumiu liderança soviética em 1985 diante de crescimento lento, custos militares e baixa inovação. Perestroika buscou reestruturação; glasnost ampliou debate e informação. Reformas econômicas parciais alteraram coordenação sem criar sistema estável de mercado. Abertura política reduziu capacidade de impor decisões e revelou conflitos acumulados.

Nova política externa procurou reduzir corrida armamentista, retirar-se do Afeganistão e abandonar intervenção automática na Europa oriental. Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário de 1987 eliminou uma categoria de sistemas. Cooperação não significava que todos previram dissolução da União.

17.2 Revoluções de 1989

Negociação polonesa, abertura da fronteira húngara, protestos na Alemanha Oriental, Revolução de Veludo tchecoslovaca e mudanças em outros países dissolveram governos de partido único. A ausência de intervenção militar soviética alterou cálculos. Cada transição possuía coalizões e instituições próprias.

A queda do Muro de Berlim simbolizou processo, mas não o iniciou sozinha. Reunificação alemã exigiu negociação entre dois Estados alemães e quatro potências ocupantes, integração monetária e acordo de fronteiras.

17.3 Nacionalidades e crise da federação soviética

Eleições competitivas e liberdade de expressão fortaleceram movimentos nacionais. Repúblicas bálticas reivindicaram restauração de independência; conflitos emergiram no Cáucaso; Rússia, Ucrânia e outras repúblicas declararam soberania. O centro perdeu receita e comando político.

Um novo tratado de união foi negociado, mas tentativa de golpe por setores conservadores em agosto de 1991 fracassou e acelerou desintegração. Lideranças de Rússia, Ucrânia e Belarus declararam extinta a União e criaram Comunidade de Estados Independentes. Em dezembro, a União Soviética deixou de existir.

17.4 Fim do Pacto de Varsóvia e nova Europa

O Pacto foi dissolvido em 1991. Comunidade Europeia aprofundava integração e preparava união política e monetária. Estados da Europa central buscavam democracia, mercado e aproximação ocidental. A Iugoslávia, por sua vez, entrou em desintegração violenta, mostrando que fim da bipolaridade não garantia transição pacífica.

17.5 Guerra do Golfo e ordem internacional

A invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990 foi condenada pelo Conselho de Segurança. Coalizão liderada pelos Estados Unidos expulsou forças iraquianas em 1991. Cooperação entre grandes potências pareceu anunciar segurança coletiva renovada, ao mesmo tempo que demonstrou concentração militar norte-americana.

O evento não deve ser lido como conclusão inevitável da Guerra Fria. Petróleo, fronteiras, dívida regional, autoritarismo e alianças possuíam história própria.

17.6 O que terminou e o que permaneceu

Terminou a União Soviética, dissolveu-se o Pacto de Varsóvia e desapareceu o sistema de partidos comunistas governantes na maior parte da Europa. Permaneceram a OTAN, armas nucleares, bases, instituições de Bretton Woods, fronteiras pós-coloniais, dívidas e conflitos regionais.

A descolonização multiplicou soberanias, mas territórios não autônomos e formas informais de poder continuaram. Empresas, finanças e tecnologia ganhariam peso na etapa seguinte. 1991 é ruptura importante, não ponto final do império.

Formação em 1991MudançaContinuidadeFuturo aberto
Estados UnidosSuperioridade militar ampliadaAlianças, dólar e basesHegemonia ou sobre-extensão
Ex-União SoviéticaQuinze Estados independentesInfraestrutura, arsenais e interdependênciaFronteiras e reforma econômica
Europa central e orientalFim do partido únicoEstado, dívida e sociedade industrialIntegração e desigualdade
ChinaMercado ampliado sob partido únicoCentralização e soberania territorialCrescimento e inserção global
Sul globalMais Estados e redes regionaisDívida e dependência comercialDemocratização e nova globalização

Tese do volume: Entre 1945 e 1991, a soberania estatal tornou-se quase universal como norma, mas poder militar, moeda, tecnologia, empresas e crédito permaneceram distribuídos de modo profundamente desigual. Descolonização mudou o mundo sem encerrar relações imperiais.

Leituras-base do capítulo: Archie Brown, The Gorbachev Factor; Serhii Plokhy, The Last Empire; Mary Elise Sarotte, Not One Inch; Vladislav Zubok, Collapse.