7.1 Fim do mandato britânico e soberanias em conflito
O fim do mandato britânico na Palestina ocorreu em contexto de projetos nacionais concorrentes, migração judaica, resistência palestina, violência intercomunitária e memória recente da perseguição aos judeus na Europa. A Assembleia Geral da ONU recomendou partição em 1947. A criação de Israel em 1948 foi seguida por guerra com Estados árabes e pelo deslocamento de grande parte da população palestina. Armistícios definiram linhas de cessar-fogo, não acordo final.
Israel consolidou instituições, imigração e forças armadas. Palestinos ficaram distribuídos entre Israel, Cisjordânia sob administração jordaniana, Gaza sob administração egípcia, campos de refugiados e diásporas. A ausência de Estado palestino não significou ausência de sociedade, organização e reivindicação nacional.
7.2 Suez, Egito e o limite dos impérios europeus
Oficiais Livres derrubaram a monarquia egípcia em 1952. Gamal Abdel Nasser associou reforma, industrialização, pan-arabismo e soberania. A nacionalização da Companhia do Canal de Suez em 1956 levou a ataque coordenado por Israel, França e Grã-Bretanha. Pressões norte-americana, soviética e internacional forçaram retirada.
A crise demonstrou enfraquecimento da ação imperial europeia independente e ampliou prestígio de Nasser. Não eliminou o papel britânico e francês na região, nem entregou controle pleno de petróleo, crédito e segurança aos Estados locais.
7.3 Argélia e descolonização francesa
A Argélia era juridicamente integrada à França, mas organizada por cidadania desigual, colonização de povoamento e expropriação. A guerra iniciada em 1954 envolveu Frente de Libertação Nacional, Estado francês, colonos e rivais argelinos. Mobilização política, diplomacia internacional e crise institucional na França levaram aos Acordos de Evian e à independência em 1962.
O novo governo herdou destruição, saída de técnicos e disputa sobre projeto econômico. Nacionalização de hidrocarbonetos, partido dominante e legitimidade revolucionária moldaram o Estado. A experiência argelina influenciou movimentos de libertação e debates sobre violência, cultura e descolonização.
7.4 Irã, petróleo e revolução
No Irã, o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizou a indústria petrolífera em 1951. Conflito com a companhia britânica, embargo e operação apoiada por serviços britânicos e norte-americanos contribuíram para sua derrubada em 1953. O xá ampliou centralização, forças de segurança, reforma econômica e aliança com os Estados Unidos.
Crescimento, urbanização, desigualdade, repressão e oposição religiosa e secular formaram crise. A revolução de 1979 derrubou a monarquia e estabeleceu República Islâmica. Ela não foi simples avanço soviético: sua liderança desenvolveu projeto próprio, crítico de Washington e também do comunismo soviético.
7.5 Guerras árabe-israelenses e ocupação
A guerra de 1967 resultou no controle israelense sobre Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Gaza, Sinai e Golã. A ocupação, os assentamentos, a questão dos refugiados e a segurança de Israel tornaram-se eixos permanentes. A Organização para a Libertação da Palestina ganhou centralidade e diferentes correntes palestinas disputaram estratégia e representação.
Em 1973, Egito e Síria atacaram posições israelenses. O conflito foi seguido por diplomacia que levou aos acordos entre Egito e Israel e à devolução do Sinai. A paz interestatal não resolveu soberania palestina nem outras frentes.
7.6 Petróleo, monarquias e capacidade estatal
Arábia Saudita e monarquias do Golfo ampliaram receitas, infraestrutura e influência. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo procurou coordenar produtores. A crise de 1973 mostrou que recurso estratégico podia ser instrumento diplomático, mas preços, tecnologia, empresas e mercados continuavam interdependentes.
Renda petrolífera não produziu um único regime. Monarquias, repúblicas militares e Estados revolucionários usaram receita para bem-estar, armas, patronagem e industrialização em combinações distintas.
| Caso | Recurso ou território | Projeto político | Limite de soberania |
|---|---|---|---|
| Palestina e Israel | Terra, cidadania e reconhecimento | Projetos nacionais concorrentes | Ocupação, refugiados e segurança |
| Egito | Canal, exército e Estado | Pan-arabismo e desenvolvimento | Guerra, dívida e alianças |
| Argélia | Terra e hidrocarbonetos | Libertação e socialismo estatal | Partido dominante e dependência técnica |
| Irã | Petróleo e posição regional | Monarquia modernizadora, depois república islâmica | Intervenção, repressão e guerra |
| Golfo | Petróleo, portos e finanças | Monarquias distributivas | Segurança externa e trabalho migrante |
Mito versus evidência: Mito: todos os conflitos regionais foram simples reflexos da disputa entre superpotências. Evidência: território, colonialismo, petróleo, projetos nacionais e instituições locais produziram agendas que Washington e Moscou tentaram influenciar, mas não criaram sozinhos.
Leituras-base do capítulo: James L. Gelvin, The Modern Middle East; Rashid Khalidi, The Hundred Years' War on Palestine; Elizabeth F. Thompson, Justice Interrupted; James McDougall, A History of Algeria.