11.1 Crise asiática de 1997
Entradas de capital, câmbio e endividamento privado criaram vulnerabilidades em economias asiáticas. Quando confiança mudou, moedas e bancos sofreram pressão. Programas de ajuste geraram debate sobre velocidade, proteção social e representação no FMI. Alguns governos acumularam reservas e criaram mecanismos regionais depois da crise.
11.2 Rússia, Brasil, Argentina e contágio
Crises atravessaram mercados porque investidores, bancos e avaliações ligavam países diferentes. Rússia em 1998, Brasil em 1999 e Argentina em 2001-2002 mostraram combinações próprias de dívida, câmbio, política e estrutura produtiva. “Contágio” não deve apagar decisões internas.
11.3 Crise global de 2008
Crédito imobiliário, securitização, alavancagem e supervisão insuficiente no centro financeiro norte-americano desencadearam crise mundial. Bancos centrais e governos mobilizaram grande capacidade para estabilizar pagamentos. O episódio contrariou a ideia de mercados autorregulados e transferiu riscos privados para balanços públicos.
11.4 Euro e desigualdade de ajuste
Na zona do euro, união monetária sem orçamento federal robusto ampliou tensões entre credores e devedores. Programas condicionados exigiram reformas e cortes, enquanto o Banco Central Europeu ampliou instrumentos. A distribuição dos custos tornou-se disputa sobre democracia e solidariedade.
11.5 Pandemia e política econômica
Em 2020, interrupções sanitárias e produtivas levaram governos a transferências, crédito, compras e expansão monetária. Vacinas revelaram inovação rápida e desigualdade de acesso. Cadeias se reorganizaram; inflação posterior combinou demanda, oferta, energia, guerra e políticas nacionais.
11.6 Da eficiência à segurança econômica
Controles de exportação, subsídios a chips e energia, revisão de investimentos e sanções passaram a integrar estratégia. “Redução de risco” busca diminuir dependências sem separar totalmente economias. O resultado é fragmentação seletiva, não fim da globalização.
| Crise | Canal inicial | Transmissão | Resposta institucional |
|---|---|---|---|
| Ásia 1997 | Câmbio e capital | Banco e dívida | FMI, reserva e cooperação |
| Global 2008 | Crédito e securitização | Banco e comércio | Liquidez, resgate e regulação |
| Euro | Dívida e união incompleta | Banco e orçamento | Condição, fundo e BCE |
| Pandemia | Saúde e oferta | Trabalho, logística e demanda | Transferência, vacina e crédito |
MITO VERSUS EVIDÊNCIA Mito: crises financeiras são acidentes puramente técnicos. Evidência: regras, distribuição de perdas, moeda, credores e capacidade fiscal tornam toda crise também política.
Leituras-base do capítulo
Adam Tooze, Crashed; Paul Blustein, The Chastening; Mark Blyth, Austerity; Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, This Time Is Different; Eric Helleiner, The Status Quo Crisis.