9. Guerra ao Terror, Afeganistão e Iraque

Os ataques de 11 de setembro de 2001 alteraram prioridades de segurança. Os Estados Unidos invocaram autodefesa, a OTAN acionou pela primeira vez o Artigo 5 e uma coalizão derrubou o governo Talibã no Afeganistão. O objetivo inicial de enfrentar a Al-Qaeda expandiu-se para reconstrução estatal prolongada. “Terror” descreve método, não território ou governo único.…

9.1 Ataques de 2001 e resposta

Os ataques de 11 de setembro de 2001 alteraram prioridades de segurança. Os Estados Unidos invocaram autodefesa, a OTAN acionou pela primeira vez o Artigo 5 e uma coalizão derrubou o governo Talibã no Afeganistão. O objetivo inicial de enfrentar a Al-Qaeda expandiu-se para reconstrução estatal prolongada.

9.2 Segurança sem fronteira definida

“Terror” descreve método, não território ou governo único. Ao transformar uma tática em inimigo global, políticas reuniram organizações muito diferentes. Listas, inteligência, vigilância, operações remotas, detenções e cooperação policial atravessaram jurisdições. Direitos, transparência e controle democrático tornaram-se disputas centrais.

9.3 Afeganistão: intervenção e Estado

Instituições eleitas, serviços e cidades cresceram com apoio externo, mas governo dependia de financiamento, forças estrangeiras e coalizões locais. Corrupção, santuários regionais, guerra e desenho centralizado limitaram legitimidade. Em 2021, a retirada internacional foi seguida por retorno do Talibã ao poder, evidenciando a diferença entre instituições financiadas e autoridade sustentável.

9.4 Iraque em 2003

Os Estados Unidos e aliados invadiram o Iraque sem nova autorização específica do Conselho de Segurança. Alegações sobre armas proibidas não foram confirmadas como apresentadas. A dissolução de estruturas estatais, exclusão política e ocupação contribuíram para instabilidade, enquanto atores iraquianos e regionais perseguiram agendas próprias.

9.5 Custos políticos e estratégicos

Guerras prolongadas consumiram recursos, afetaram credibilidade e geraram debate sobre limites do poder. Tecnologias de vigilância e operações remotas reduziram certos riscos para intervenientes, mas ampliaram questões de soberania e responsabilização. A competição entre grandes potências retornou sem que redes armadas transnacionais desaparecessem.

9.6 Evidência e linguagem

Documentos de inteligência precisam ser comparados com inspeções, decisões e revisões posteriores. “Estado falido”, “insurgente” e “terrorista” podem revelar realidade ou funcionar como categorias de poder. O historiador deve explicar quem aplicou o rótulo e com qual consequência.

ObjetivoInstrumentoResultado parcialQuestão aberta
Desarticular redeInteligência e operaçãoLideranças e células atingidasReorganização regional
Construir EstadoAjuda, eleição e forçaServiços e instituiçõesDependência e legitimidade
Impedir proliferaçãoInspeção e invasãoGoverno removidoEvidência e legalidade
Proteger territórioVigilância e aliançaCooperação ampliadaDireito e controle

MITO VERSUS EVIDÊNCIA Mito: capacidade militar garante construção estatal. Evidência: autoridade depende de coalizões, receita, conhecimento local, confiança e instituições que sobrevivam à retirada do apoio externo.

Leituras-base do capítulo

Steve Coll, Directorate S; Neta C. Crawford, Pentagon Fuel Use, Climate Change, and the Costs of War; David Kilcullen, The Accidental Guerrilla; Rajiv Chandrasekaran, Imperial Life in the Emerald City; Costs of War Project, Brown University.