Volume12
História Comparada — Impérios

Europa, Ásia, África, Américas e Pacífico — guerra, revolução e soberania

c. 1914–1945 · Edição Definitiva 2026

Volume 12 — Guerras mundiais, revoluções e crise dos impérios: fascismos, colonialismos e autodeterminação

Guerras mundiais, revoluções, fascismos, colonialismos e autodeterminação em perspectiva comparada, entre c. 1914 e 1945.

SOBRE ESTE VOLUME

Apresentação

Entre 1914 e 1945, duas guerras de alcance mundial, revoluções, crises econômicas e mobilizações políticas alteraram profundamente a organização dos impérios. Quatro grandes formações dinásticas – russa, otomana, Habsburgo e alemã – desapareceram ou foram reorganizadas após a Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico e o francês alcançaram enorme extensão territorial, mas passaram a enfrentar custos crescentes, reivindicações de cidadania e movimentos anticoloniais. Japão, Itália e Alemanha construíram projetos expansionistas que combinaram indústria, militarização, ideologia e hierarquias raciais. A União Soviética reorganizou grande parte do antigo espaço imperial russo sob uma federação socialista formal, centralização partidária e planejamento econômico.

O período não será apresentado como simples intervalo entre duas guerras europeias. Soldados, carregadores, marinheiros e trabalhadores das colônias participaram dos conflitos; matérias-primas e impostos conectaram aldeias a frentes distantes; a Revolução Russa transformou vocabulários políticos em muitos continentes; movimentos na Índia, China, Egito, Vietnã, Indonésia, África e Caribe articularam soberania, reforma social e crítica ao domínio imperial. México, Brasil, Turquia, Irã e outros Estados experimentaram projetos diferentes de centralização, industrialização e incorporação política.

A crise de 1929 revelou dependências do crédito, dos preços agrícolas, das exportações e do emprego industrial. Democracias liberais, regimes autoritários, Estados fascistas, governos coloniais e a União Soviética responderam de modos distintos, frequentemente ampliando capacidades de intervenção. A Segunda Guerra Mundial reuniu conflitos europeus, asiáticos, africanos e oceânicos em uma guerra verdadeiramente global. Ocupações, perseguições raciais e genocídio serão tratados com linguagem sóbria, atenção às instituições responsáveis, às vítimas, às resistências e às evidências, sem transformar sofrimento em espetáculo.

Autoria, pesquisa e uso editorial

O texto, a estrutura explicativa, as sínteses e as comparações deste volume foram redigidos originalmente para esta coleção. Texto, organização e edição: Leonel Edmundo Junior. Pesquisa histórica baseada na bibliografia indicada. Apoio de pesquisa e redação: inteligência artificial. O material pode ser adaptado para estudo, aulas, blog, roteiro, vídeo ou podcast, preservando referências, créditos e licenças de imagens e distinguindo evidência, interpretação e hipótese.

Pergunta central

Como guerras, revoluções, crises econômicas e projetos de autodeterminação transformaram impérios e Estados entre 1914 e 1945, e por que a derrota de algumas potências não encerrou o colonialismo nem produziu soberania igual?

Como usar este volume

Os capítulos combinam narrativa cronológica e comparação temática. Cada um apresenta mecanismos de poder, agentes sociais, debates historiográficos, uma tabela comparativa, um quadro de mito versus evidência e leituras-base. Os apêndices oferecem cronologia, instantâneos de coexistência, matrizes, glossário, laboratório de fontes e atividades para publicação em blog.

O recorte 1914-1945 é analítico. Processos começaram antes e continuaram depois. A guerra sino-japonesa iniciada em 1937 integra a história da Segunda Guerra Mundial mesmo antes de 1939; a descolonização acelerada após 1945 possui raízes nas mobilizações estudadas aqui. Datas de independência formal não equivalem automaticamente a autonomia econômica, igualdade de cidadania ou controle territorial completo.

Convenções

  1. Guerra total indica a ampliação da mobilização de pessoas, economia, ciência e informação; não significa que todos os lugares sofreram da mesma forma.
  2. Fascismo é usado para o movimento e regime italiano e, em comparação controlada, para uma família de políticas ultranacionalistas, antiliberais e mobilizadoras. Nazismo possui especificidades centrais, especialmente o racismo biológico e o antissemitismo genocida.
  3. Autoritarismo não é sinônimo automático de fascismo. Ditaduras militares, monarquias, regimes corporativos e governos coloniais devem ser comparados por instituições, base social, ideologia e prática.
  4. Autodeterminação possuía sentidos concorrentes: autonomia, federação, Estado independente, soberania popular, domínio nacional ou igualdade dentro de um império.
  5. Colônia, mandato, protetorado, domínio e esfera de influência designam relações jurídicas diferentes; todas precisam ser confrontadas com controle efetivo.
  6. Números de mortos, deslocados, presos e deportados variam conforme fonte, território e método. Estimativas serão apresentadas como aproximações quando necessário.
  7. Propaganda é evidência de intenção e mobilização, não fotografia neutra da opinião pública.
  8. Violência, perseguição e genocídio serão explicados de maneira histórica e não gráfica, com atenção à responsabilidade institucional e à dignidade das vítimas.

Mapa dos 14 volumes da coleção

A coleção principal percorre mais de quatro milênios de história imperial. Os recortes abaixo são pontos de observação comparativa: processos atravessam as fronteiras entre volumes e, quando necessário, os livros se sobrepõem deliberadamente.

VolumeRecorteFunção no percurso da coleção
1FundamentosComo surgem, funcionam e se transformam: método comparativo, poder, administração, economia, legitimidade, resistência e transformação.
2c. 2350-539 a.C.Primeiros impérios da Antiguidade: Mesopotâmia, Egito, Anatólia e Levante.
3c. 559-30 a.C.Da Pérsia aos reinos helenísticos: Aquemênidas, Alexandre, sucessores e conexões mediterrânicas e asiáticas.
4c. 30 a.C.-300 d.C.Roma, Pártia, Han e Cuchana: impérios conectados entre Mediterrâneo, Irã, Índia e China.
5c. 224-650Roma tardia, Sassânidas, Guptas e confederações das estepes: transformação da ordem antiga.
6c. 600-1000Califados, Bizâncio, Tang e novas formações imperiais: universalidades, fragmentação e redes.
7c. 1000-1300Song, sultanatos, cruzadas e expansão mongol: muitos centros e conexões afro-eurasiáticas, com comparação americana.
8c. 1300-1500Da fragmentação mongol às novas potências: epidemias, redes globais e recomposição política.
9c. 1500-1700Conexões oceânicas e impérios da primeira modernidade: conquista, comércio, trabalho forçado e resistência.
10c. 1700-1850Impérios, revoluções, industrialização e novas colonizações: reformas, emancipações e transformação do trabalho.
11c. 1850-1914Industrialização, nacionalismos e imperialismo de alta intensidade: conquistas, migrações e resistências.
12c. 1914-1945Guerras mundiais, revoluções e crise dos impérios: fascismos, colonialismos e autodeterminação.
13c. 1945-1991Descolonização, Guerra Fria e novos imperialismos: superpotências, revoluções e soberanias incompletas.
14c. 1991-2026Globalização, ordem unipolar e impérios em rede: intervenções, finanças, tecnologia e novas rivalidades.

Nota de periodização: os limites entre volumes não são “paredes” cronológicas. Sobreposições preservam continuidade quando uma transformação pertence simultaneamente ao encerramento de uma ordem e à formação de outra.