SOBRE ESTE VOLUME
Apresentação
Entre 1914 e 1945, duas guerras de alcance mundial, revoluções, crises econômicas e mobilizações políticas alteraram profundamente a organização dos impérios. Quatro grandes formações dinásticas – russa, otomana, Habsburgo e alemã – desapareceram ou foram reorganizadas após a Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico e o francês alcançaram enorme extensão territorial, mas passaram a enfrentar custos crescentes, reivindicações de cidadania e movimentos anticoloniais. Japão, Itália e Alemanha construíram projetos expansionistas que combinaram indústria, militarização, ideologia e hierarquias raciais. A União Soviética reorganizou grande parte do antigo espaço imperial russo sob uma federação socialista formal, centralização partidária e planejamento econômico.
O período não será apresentado como simples intervalo entre duas guerras europeias. Soldados, carregadores, marinheiros e trabalhadores das colônias participaram dos conflitos; matérias-primas e impostos conectaram aldeias a frentes distantes; a Revolução Russa transformou vocabulários políticos em muitos continentes; movimentos na Índia, China, Egito, Vietnã, Indonésia, África e Caribe articularam soberania, reforma social e crítica ao domínio imperial. México, Brasil, Turquia, Irã e outros Estados experimentaram projetos diferentes de centralização, industrialização e incorporação política.
A crise de 1929 revelou dependências do crédito, dos preços agrícolas, das exportações e do emprego industrial. Democracias liberais, regimes autoritários, Estados fascistas, governos coloniais e a União Soviética responderam de modos distintos, frequentemente ampliando capacidades de intervenção. A Segunda Guerra Mundial reuniu conflitos europeus, asiáticos, africanos e oceânicos em uma guerra verdadeiramente global. Ocupações, perseguições raciais e genocídio serão tratados com linguagem sóbria, atenção às instituições responsáveis, às vítimas, às resistências e às evidências, sem transformar sofrimento em espetáculo.
Autoria, pesquisa e uso editorial
O texto, a estrutura explicativa, as sínteses e as comparações deste volume foram redigidos originalmente para esta coleção. Texto, organização e edição: Leonel Edmundo Junior. Pesquisa histórica baseada na bibliografia indicada. Apoio de pesquisa e redação: inteligência artificial. O material pode ser adaptado para estudo, aulas, blog, roteiro, vídeo ou podcast, preservando referências, créditos e licenças de imagens e distinguindo evidência, interpretação e hipótese.
Pergunta central
Como guerras, revoluções, crises econômicas e projetos de autodeterminação transformaram impérios e Estados entre 1914 e 1945, e por que a derrota de algumas potências não encerrou o colonialismo nem produziu soberania igual?
Como usar este volume
Os capítulos combinam narrativa cronológica e comparação temática. Cada um apresenta mecanismos de poder, agentes sociais, debates historiográficos, uma tabela comparativa, um quadro de mito versus evidência e leituras-base. Os apêndices oferecem cronologia, instantâneos de coexistência, matrizes, glossário, laboratório de fontes e atividades para publicação em blog.
O recorte 1914-1945 é analítico. Processos começaram antes e continuaram depois. A guerra sino-japonesa iniciada em 1937 integra a história da Segunda Guerra Mundial mesmo antes de 1939; a descolonização acelerada após 1945 possui raízes nas mobilizações estudadas aqui. Datas de independência formal não equivalem automaticamente a autonomia econômica, igualdade de cidadania ou controle territorial completo.
Convenções
- Guerra total indica a ampliação da mobilização de pessoas, economia, ciência e informação; não significa que todos os lugares sofreram da mesma forma.
- Fascismo é usado para o movimento e regime italiano e, em comparação controlada, para uma família de políticas ultranacionalistas, antiliberais e mobilizadoras. Nazismo possui especificidades centrais, especialmente o racismo biológico e o antissemitismo genocida.
- Autoritarismo não é sinônimo automático de fascismo. Ditaduras militares, monarquias, regimes corporativos e governos coloniais devem ser comparados por instituições, base social, ideologia e prática.
- Autodeterminação possuía sentidos concorrentes: autonomia, federação, Estado independente, soberania popular, domínio nacional ou igualdade dentro de um império.
- Colônia, mandato, protetorado, domínio e esfera de influência designam relações jurídicas diferentes; todas precisam ser confrontadas com controle efetivo.
- Números de mortos, deslocados, presos e deportados variam conforme fonte, território e método. Estimativas serão apresentadas como aproximações quando necessário.
- Propaganda é evidência de intenção e mobilização, não fotografia neutra da opinião pública.
- Violência, perseguição e genocídio serão explicados de maneira histórica e não gráfica, com atenção à responsabilidade institucional e à dignidade das vítimas.
Mapa dos 14 volumes da coleção
A coleção principal percorre mais de quatro milênios de história imperial. Os recortes abaixo são pontos de observação comparativa: processos atravessam as fronteiras entre volumes e, quando necessário, os livros se sobrepõem deliberadamente.
| Volume | Recorte | Função no percurso da coleção |
|---|---|---|
| 1 | Fundamentos | Como surgem, funcionam e se transformam: método comparativo, poder, administração, economia, legitimidade, resistência e transformação. |
| 2 | c. 2350-539 a.C. | Primeiros impérios da Antiguidade: Mesopotâmia, Egito, Anatólia e Levante. |
| 3 | c. 559-30 a.C. | Da Pérsia aos reinos helenísticos: Aquemênidas, Alexandre, sucessores e conexões mediterrânicas e asiáticas. |
| 4 | c. 30 a.C.-300 d.C. | Roma, Pártia, Han e Cuchana: impérios conectados entre Mediterrâneo, Irã, Índia e China. |
| 5 | c. 224-650 | Roma tardia, Sassânidas, Guptas e confederações das estepes: transformação da ordem antiga. |
| 6 | c. 600-1000 | Califados, Bizâncio, Tang e novas formações imperiais: universalidades, fragmentação e redes. |
| 7 | c. 1000-1300 | Song, sultanatos, cruzadas e expansão mongol: muitos centros e conexões afro-eurasiáticas, com comparação americana. |
| 8 | c. 1300-1500 | Da fragmentação mongol às novas potências: epidemias, redes globais e recomposição política. |
| 9 | c. 1500-1700 | Conexões oceânicas e impérios da primeira modernidade: conquista, comércio, trabalho forçado e resistência. |
| 10 | c. 1700-1850 | Impérios, revoluções, industrialização e novas colonizações: reformas, emancipações e transformação do trabalho. |
| 11 | c. 1850-1914 | Industrialização, nacionalismos e imperialismo de alta intensidade: conquistas, migrações e resistências. |
| 12 | c. 1914-1945 | Guerras mundiais, revoluções e crise dos impérios: fascismos, colonialismos e autodeterminação. |
| 13 | c. 1945-1991 | Descolonização, Guerra Fria e novos imperialismos: superpotências, revoluções e soberanias incompletas. |
| 14 | c. 1991-2026 | Globalização, ordem unipolar e impérios em rede: intervenções, finanças, tecnologia e novas rivalidades. |
Nota de periodização: os limites entre volumes não são “paredes” cronológicas. Sobreposições preservam continuidade quando uma transformação pertence simultaneamente ao encerramento de uma ordem e à formação de outra.
CONTEÚDO