Biblioteca digital de história, tecnologia e pensamento
DICIONÁRIO GERAL
529 conceitos, instituições, títulos e categorias históricas harmonizados a partir dos glossários dos 14 volumes de História Comparada — Impérios.
Estudo de selos. Selos de chumbo romanos orientais e de outros contextos permitem identificar cargos, pessoas, instituições e circulação administrativa.
Combinação de elementos religiosos; termo útil apenas quando não apaga conflitos e escolhas históricas.
Ligação cronológica entre governantes ou acontecimentos de regiões diferentes. Cartas, batalhas e casamentos podem fornecer sincronismos.
Reunião de sacerdotes, especialmente importante no Egito ptolomaico para decretos que articulavam benefícios régios, cultos e honras.
Cavaleiro otomano, frequentemente associado à receita de timar e serviço militar. Não deve ser equiparado automaticamente a cavaleiro feudal europeu.
Soldado sul-asiático em exércitos de companhias europeias. A expansão britânica dependeu numericamente e tecnicamente desses regimentos.
Reivindicação de autoridade política superior sobre território e população, associada ao reconhecimento externo. Na prática, pode ser compartilhada, graduada, sobreposta ou limitada por capacidades materiais e relações de dependência. Ver também: Soberania jurídica, Soberania efetiva, Soberania graduada, Soberania digital.
Capacidade de decidir sobre dados, infraestrutura e tecnologia sob regras legítimas. Não exige isolamento, mas requer escolha e fiscalização.
Capacidade prática de decidir, tributar, administrar e aplicar políticas. Pode ser menor ou maior que o reconhecimento jurídico sugere.
Distribuição desigual de autoridade por território, grupo ou função. Um poder pode controlar tributo, comércio, defesa ou nomeações sem administrar de modo uniforme toda a vida política e social local.
Reconhecimento formal de autoridade estatal e igualdade legal internacional, inclusive quando capacidades materiais são muito desiguais.
Situação em que compromissos militares e administrativos excedem recursos e capacidade disponíveis.
Capacidade de obter adesão por atração, legitimidade e exemplo, em vez de pagamento ou coerção direta.
Populações de língua iraniana da Ásia Central, especialmente importantes em redes mercantis, diplomáticas e religiosas.
Moeda romana de ouro estabilizada sob Constantino e utilizada como padrão de alto valor durante séculos.
“Grande Salvador”, título grego de série monetária associada, após novas evidências, a Vima Takto.
Formação política marítima centrada em Sumatra desde o século VII. Exerceu influência sobre estreitos, portos e redes budistas sem possuir fronteiras territoriais modernas.
Tradições islâmicas de formação espiritual organizadas por mestres, discípulos, práticas e instituições variadas.
Dinastia chinesa de 581 a 618 que reuniu norte e sul em 589 e legou instituições importantes aos Tang.
Pessoa submetida à autoridade de um soberano. O estatuto não equivale necessariamente a ausência total de direitos.
Categoria política e histórica aplicada a sociedades marcadas por colonialismo e desigualdade na ordem internacional. Não designa um bloco homogêneo nem corresponde simplesmente à localização geográfica.
Ideal mogol de paz universal associado a Akbar. Sustentava inclusão de elites e comunidades sob soberania imperial, sem abolir desigualdade.
Governo cujo soberano usa o título de sultão; legitimidade e instituições diferem entre Delhi, Mamelucos, otomanos e Malaca.
Língua sem parentesco demonstrado, escrita em cuneiforme. Permaneceu como língua erudita e cultual depois de deixar de ser falada cotidianamente.
Conjunto majoritário de tradições islâmicas que reconheceu formas específicas de comunidade, autoridade e sucessão. Suas escolas e instituições consolidaram-se historicamente, não de uma vez em 632.
Movimento de produção e consumo nacional associado ao boicote de bens estrangeiros na Índia, especialmente após a partição de Bengala em 1905.
Poder baseado em domínio marítimo, portos e frotas. Não exige ocupação contínua de todo o litoral alcançado.
Dinastia chinesa fundada em 618; até 650 havia consolidado a reunificação e ampliado presença na Ásia Central.
Período de reformas otomanas iniciado em 1839, com reorganização militar, fiscal, jurídica, educacional e administrativa. Sua aplicação foi desigual e negociada.
Título da rainha hitita, com funções cultuais e políticas próprias. Podia continuar após a morte do marido.
Narrativa que trata o passado como caminho inevitável para um resultado posterior.
Circunscrição militar-administrativa do Império Romano oriental. Os temas desenvolveram-se progressivamente a partir do século VII.
Termo histórico que, em muitos usos originais, indicava projeto político anticolonial e transformador, não simples escala de pobreza. Seu sentido varia conforme autor e data.
Doutrina jurídica que tratou terras australianas como sem soberania ou propriedade reconhecível segundo critérios britânicos. Apagou leis e territorialidades aborígenes.
Moeda de prata equivalente convencionalmente a quatro dracmas. Padrões de peso e imagens variavam entre reinos e cidades.
Sistema iniciado por Diocleciano que distribuiu o comando imperial romano entre dois augustos e dois césares.
Título grego de Maria, “portadora de Deus”, central nos debates cristológicos associados ao Concílio de Éfeso de 431.
Tradição budista vinculada ao cânone pali e a redes monásticas. Sua expansão no Sudeste Asiático foi gradual e combinou patronagem régia, circulação de monges e escolhas locais.
Expressão chinesa geralmente traduzida como “Tudo sob o Céu”. Designava ordem moral e política centrada no soberano, mesmo quando vários impérios reivindicavam centralidade.
Direito otomano de receber receitas designadas em troca de serviço, especialmente cavalaria. Não era propriedade privada plena e perdeu peso relativo com mudanças fiscais.