C

Biblioteca CENC

Biblioteca digital de história e pensamento

Apêndice D. Glossário essencial

Ayllu: Categoria andina de comunidade e parentesco com relações territoriais e obrigações coletivas. O termo possui histórias locais e não deve ser tratado como unidade idêntica em todos os Andes. Bakufu: Governo militar associado ao xogum e seus oficiais. Em Kamakura, coexistiu com corte imperial, aristocracias, proprietários e instituições religiosas. Baqt: Nome dado a acordos…

Ayllu: Categoria andina de comunidade e parentesco com relações territoriais e obrigações coletivas. O termo possui histórias locais e não deve ser tratado como unidade idêntica em todos os Andes.

Bakufu: Governo militar associado ao xogum e seus oficiais. Em Kamakura, coexistiu com corte imperial, aristocracias, proprietários e instituições religiosas.

Baqt: Nome dado a acordos duradouros entre Egito governado por muçulmanos e Makúria cristã. Regulava diplomacia e trocas, mas versões e práticas mudaram ao longo dos séculos.

Califa: Título ligado à liderança da comunidade muçulmana. Entre 1000 e 1300, Abássidas, Fatímidas e memórias omíadas sustentaram reivindicações diferentes; autoridade simbólica e comando territorial não coincidiam necessariamente.

Canato: Domínio governado por um khan. “Canatos mongóis” designa grandes formações da casa de Chinggis, mas não implica fronteiras ou instituições iguais.

Caravançará: Estrutura de hospedagem, armazenamento e proteção em rotas terrestres. Podia ser financiada por governantes ou fundações e fazia parte de uma cadeia de paradas.

Chimú: Formação política da costa norte andina centrada em Chan Chan, desenvolvida após aproximadamente 1000 e expandida sobretudo nos séculos XIII a XV.

Cruzada: Expedição ou campanha autorizada pela Igreja latina e associada a voto e benefícios espirituais. Objetivos, participantes e regiões variaram; nem toda guerra religiosa medieval foi cruzada.

Darughachi: Supervisor ou agente de autoridade mongol enviado a cidades e territórios. Funções incluíam fiscalização, censo, comunicação e controle, variando por região.

Devaraja: Termo usado em debates sobre realeza e culto no Sudeste Asiático, especialmente Khmer. Não significa simplesmente “rei-deus”; inscrições e rituais exigem leitura contextual.

Diwan: Registro, repartição ou conselho administrativo em governos islâmicos. O sentido depende do contexto: finanças, correspondência, exército ou outra função.

Geniza do Cairo: Conjunto documental preservado na sinagoga Ben Ezra e em outros contextos, com cartas, contas e textos religiosos. É fonte central para Mediterrâneo e Índico, mas representa comunidades específicas.

Horda de Ouro: Nome posterior para o domínio dos descendentes de Jochi nas estepes pónticas e regiões associadas. Governava Rus principalmente por tributo e intermediários.

Ilcanato: Canato mongol estabelecido por Hülegü no Irã, Iraque e áreas vizinhas. Combinou elite chinggisida, administração persa e transformações religiosas.

Iqta: Concessão de direitos sobre receitas, frequentemente destinada a serviço militar ou administrativo. Não equivale automaticamente a propriedade feudal nem teve forma única.

Jihad: Esforço no caminho de Deus com sentidos espirituais, jurídicos e militares. Governantes e estudiosos medievais mobilizaram o termo em contextos específicos; não é sinônimo de toda guerra islâmica.

Khan: Título de soberania das estepes. Chinggis Khan e descendentes combinaram título, genealogia e domínio sobre povos diversos.

Khutba: Sermão formal da oração comunitária de sexta-feira. Mencionar um governante podia afirmar reconhecimento político, sem provar controle administrativo completo.

Madrasa: Instituição de ensino associada sobretudo às ciências religiosas islâmicas. Podia ser financiada por fundação e ligada a uma escola jurídica, sem currículo uniforme universal.

Mandala: Modelo historiográfico para poderes do Sul e Sudeste Asiático com centralidade graduada e relações sobrepostas. É ferramenta comparativa, não nome nativo único de todos os estados.

Mameluco: Militar de origem servil treinado e incorporado a redes de patronagem islâmicas. Mamelucos estabeleceram sultanato no Egito em 1250; sua capacidade política coexistia com a coerção do sistema de recrutamento.

Mansa: Título de governantes de Mali. Tornou-se conhecido por fontes árabes e tradições regionais; não deve ser traduzido mecanicamente por “imperador” sem contexto.

Neo-confucianismo: Rótulo moderno para correntes confucianas renovadas nos períodos Song e posteriores. Autores como Zhu Xi integraram ética, cosmologia, educação e ritual em novas sínteses.

Pax Mongolica: Expressão moderna para relativa facilitação de circulação sob governos mongóis. Deve ser usada com cronologia e região, pois guerras entre canatos e coerção nunca desapareceram.

Paiza: Credencial ligada à autoridade mongol que permitia acesso a transporte, proteção e recursos. Uso indevido podia sobrecarregar comunidades e exigiu regulamentação.

Qaghan ou grande khan: Título de precedência superior entre governantes das estepes. Depois de Chinggis, sucessões e guerras civis limitaram a autoridade efetiva do grande khan sobre todos os ramos.

Reconquista: Termo posterior usado para expansões de reinos cristãos na Península Ibérica. Pode impor unidade retrospectiva a campanhas, alianças e intervalos muito diversos.

Samanta: Termo sânscrito de usos variados, associado a subordinados, vizinhos, chefes ou aliados. Não corresponde a uma categoria feudal fixa.

Shoen: Propriedade ou domínio no Japão com direitos fiscais e administrativos específicos. Redes de corte, templos, administradores e guerreiros disputavam sua receita.

Shogun: Título militar concedido pela corte japonesa. Minamoto no Yoritomo tornou-o base de autoridade do bakufu, sem substituir o imperador.

Sultanato: Governo centrado em um sultão. Podia coexistir com califa, juristas, emires, chefes locais e instituições religiosas.

Theravada: Tradição budista vinculada ao cânone pali e a redes monásticas. Sua expansão no Sudeste Asiático foi gradual e combinou patronagem régia, circulação de monges e escolhas locais.

Tianxia: Expressão chinesa geralmente traduzida como “Tudo sob o Céu”. Designava ordem moral e política centrada no soberano, mesmo quando vários impérios reivindicavam centralidade.

Tripitaka Koreana: Conjunto de blocos de impressão do cânone budista produzido em Goryeo. A edição preservada data principalmente do século XIII e relaciona devoção, defesa do reino, conhecimento e tecnologia.

Ulus: Povo, domínio ou patrimônio associado a membros da casa imperial mongol. O significado combinava seguidores, direitos e territórios, não um Estado nacional.

Waqf: Fundação que destinava renda a fins religiosos, educacionais, assistenciais ou familiares conforme um ato jurídico. Protegia continuidade, mas também consolidava patronagem e propriedade.

Yasa: Termo relacionado a ordens e normas atribuídas a Chinggis Khan e sucessores. A ideia de um código secreto e completo preservado sem mudanças é debatida.

Tributação mongol: Expressão descritiva para obrigações impostas por conquistadores mongóis. Não era uma instituição única: convém identificar censo, produto, serviço ou pagamento específico.

Xogunato: Tradução corrente de governo do shogun. Para Kamakura, “bakufu” ajuda a preservar coexistência com a corte e outros centros de poder.