SOBRE ESTE VOLUME
Apresentação
Este sétimo volume acompanha três séculos em que muitas formações políticas reivindicaram soberania universal sem conseguir organizar todo o mundo sob uma única ordem. Entre aproximadamente 1000 e 1300 d.C., Song governou uma das sociedades mais urbanizadas e comercializadas de seu tempo, mas coexistiu com Liao, Xi Xia e Jin; califas partilharam autoridade com sultões, emires e juristas; Bizâncio, poderes latinos e estados islâmicos transformaram o Mediterrâneo oriental; Cholas, Chalukyas, Gúridas e o Sultanato de Delhi reorganizaram partes do Sul da Ásia; Angkor, Pagan, Đại Việt e outras formações estruturaram o Sudeste Asiático; e estados africanos controlaram recursos, cidades e corredores do Saara, do Nilo e do oceano Índico.
No século XIII, os impérios mongóis alteraram a escala das conexões eurasiáticas. Sua expansão não começou em um mundo vazio nem criou sozinha o comércio de longa distância. Ela incorporou rotas, cidades, especialistas e tecnologias de governo já existentes, ao mesmo tempo que provocou destruição, deslocamentos e recomposição política. O volume separa conquista de administração e integração de homogeneidade. Conectar regiões não significou submetê-las a uma cultura única.
As Américas recebem um capítulo próprio. Cahokia, formações toltecas, cidades maias e estados andinos não pertenciam às mesmas redes regulares que uniam África, Europa e Ásia. Incluí-los impede que “mundo” seja usado como sinônimo de Afro-Eurásia. A ausência de contato comprovado não significa ausência de história comparável: urbanização, tributo, paisagens sagradas, guerra, trabalho e memória também organizaram poderes americanos.
Pergunta central
Como formações imperiais, reinos e redes entre c. 1000 e 1300 d.C. combinaram administração, guerra, religião, cidades e circulação para governar sociedades policêntricas – e de que modo a expansão mongol transformou conexões preexistentes sem criar uma ordem mundial única?
Como usar este volume
Leia os capítulos 1 e 2 para compreender evidências, escalas e o quadro em torno do ano 1000. Depois, siga rotas regionais: Leste Asiático, capítulos 3 e 4; califados, sultanatos e Mediterrâneo, capítulos 5 a 7; Ásia interior, capítulo 8; Sul e Sudeste Asiático, capítulos 9 e 10; Coreia e Japão, capítulo 11; África, capítulo 12; redes inter-regionais, capítulo 13; Américas, capítulo 14; impérios mongóis, capítulo 15. O capítulo 16 recompõe a comparação global. Os apêndices oferecem cronologia, coexistências, matrizes, glossário e atividades.
Cada capítulo responde a cinco perguntas recorrentes: quais evidências sustentam a reconstrução; como ocorreu a formação ou expansão; como o poder funcionava; como pessoas e grupos colaboraram, negociaram ou resistiram; e quais legados ou controvérsias permaneceram. As leituras-base indicam pontos de partida, não uma bibliografia exaustiva.
Autoria, pesquisa e uso editorial
O texto, a estrutura explicativa, as sínteses e as comparações deste volume foram redigidos originalmente para esta coleção. Fatos históricos, nomes e datas pertencem ao conhecimento histórico; interpretações e reconstruções foram confrontadas com a bibliografia e as fontes indicadas. Texto, organização e edição: Leonel Edmundo Junior. Apoio de pesquisa e redação: inteligência artificial.
Este material pode servir de base para estudo, aulas, roteiros, blog, vídeo ou podcast. Ao adaptá-lo, é recomendável preservar a bibliografia, verificar novamente cronologias ou interpretações debatidas e manter a distinção entre evidência, hipótese e convenção historiográfica.
Convenções
- As datas são aproximadas quando as fontes não permitem precisão maior. “c.” significa circa, isto é, “por volta de”.
- “China” designa uma região histórica e um campo de reivindicações políticas, não uma unidade eterna. Song, Liao, Xi Xia e Jin mobilizaram tradições imperiais distintas e sobrepostas.
- “Cruzada” é uma categoria histórica ligada a voto, indulgência e autorização religiosa latina. Nem toda guerra entre cristãos e muçulmanos foi cruzada.
- “Sultão”, “califa”, “imperador”, “khan”, “mansa” e “devaraja” não são equivalentes automáticos. A comparação recai sobre funções, recursos e relações.
- Fronteiras são tratadas como zonas móveis de fortificação, comércio, migração, tributação e soberania graduada.
- Conquista territorial, conversão religiosa, mudança linguística e integração econômica são processos relacionados, mas com ritmos próprios.
- Níveis de segurança: seguro, quando séries independentes convergem; provável, quando a melhor interpretação admite alternativas; debatido, quando cronologia, escala ou causalidade permanecem abertas.
- Números medievais, especialmente de exércitos, mortos e populações, devem ser tratados como estimativas ou recursos retóricos quando não há controle documental independente.
Mapa dos 14 volumes da coleção
A coleção principal percorre mais de quatro milênios de história imperial. Os recortes abaixo são pontos de observação comparativa: processos atravessam as fronteiras entre volumes e, quando necessário, os livros se sobrepõem deliberadamente.
| Volume | Recorte | Função no percurso da coleção |
|---|---|---|
| 1 | Fundamentos | Como surgem, funcionam e se transformam: método comparativo, poder, administração, economia, legitimidade, resistência e transformação. |
| 2 | c. 2350-539 a.C. | Primeiros impérios da Antiguidade: Mesopotâmia, Egito, Anatólia e Levante. |
| 3 | c. 559-30 a.C. | Da Pérsia aos reinos helenísticos: Aquemênidas, Alexandre, sucessores e conexões mediterrânicas e asiáticas. |
| 4 | c. 30 a.C.-300 d.C. | Roma, Pártia, Han e Cuchana: impérios conectados entre Mediterrâneo, Irã, Índia e China. |
| 5 | c. 224-650 | Roma tardia, Sassânidas, Guptas e confederações das estepes: transformação da ordem antiga. |
| 6 | c. 600-1000 | Califados, Bizâncio, Tang e novas formações imperiais: universalidades, fragmentação e redes. |
| 7 | c. 1000-1300 | Song, sultanatos, cruzadas e expansão mongol: muitos centros e conexões afro-eurasiáticas, com comparação americana. |
| 8 | c. 1300-1500 | Da fragmentação mongol às novas potências: epidemias, redes globais e recomposição política. |
| 9 | c. 1500-1700 | Conexões oceânicas e impérios da primeira modernidade: conquista, comércio, trabalho forçado e resistência. |
| 10 | c. 1700-1850 | Impérios, revoluções, industrialização e novas colonizações: reformas, emancipações e transformação do trabalho. |
| 11 | c. 1850-1914 | Industrialização, nacionalismos e imperialismo de alta intensidade: conquistas, migrações e resistências. |
| 12 | c. 1914-1945 | Guerras mundiais, revoluções e crise dos impérios: fascismos, colonialismos e autodeterminação. |
| 13 | c. 1945-1991 | Descolonização, Guerra Fria e novos imperialismos: superpotências, revoluções e soberanias incompletas. |
| 14 | c. 1991-2026 | Globalização, ordem unipolar e impérios em rede: intervenções, finanças, tecnologia e novas rivalidades. |
Nota de periodização: os limites entre volumes não são “paredes” cronológicas. Sobreposições preservam continuidade quando uma transformação pertence simultaneamente ao encerramento de uma ordem e à formação de outra.
CONTEÚDO