Absolutismo: Conceito usado para pretensões de soberania concentrada em monarcas europeus. Não significa poder sem limites práticos; cortes, privilégios, tribunais, crédito e províncias continuavam a mediar decisões.
Aldeamento: Assentamento colonial, frequentemente missionário, que reunia populações indígenas para conversão, trabalho, defesa e administração. Podia oferecer mediação e também impor deslocamento e disciplina.
Asiento: Contrato da Monarquia Hispânica concedendo a particulares direitos e obrigações, especialmente o fornecimento de pessoas africanas escravizadas às colônias. Ligava coroa, crédito e redes mercantis internacionais.
Audiência: Tribunal superior e órgão consultivo da América espanhola. Julgava recursos, fiscalizava autoridades e podia governar interinamente; sua relação com vice-reis era de cooperação e tensão.
Banner ou Estandarte: Unidade militar, social e administrativa manchu organizada antes da conquista Qing. Havia estandartes manchus, mongóis e han; não eram apenas regimentos de campanha.
Cabildo ou câmara: Conselho municipal no mundo ibérico. Representava sobretudo grupos reconhecidos como vizinhos e elites urbanas, administrando mercados, terras e obras, sem equivaler a democracia moderna.
Capitania: Jurisdição concedida a um capitão ou donatário para defesa, colonização e governo. Delegava custos e poderes; sua forma variou entre Atlântico, Brasil e Estado da Índia.
Capitulação: Contrato entre coroa e agente para expedição ou conquista; também pode designar acordos diplomáticos, como privilégios comerciais otomanos. O sentido depende do contexto.
Cartaz: Licença marítima exigida pelo Estado português da Índia para certas embarcações. Buscava fiscalizar rotas e portos, mas sua aplicação era seletiva e contestada.
Companhia privilegiada: Empresa criada por carta estatal com monopólio e poderes públicos em uma região. VOC e EIC podiam negociar, fortificar e guerrear; não eram companhias privadas no sentido contemporâneo simples.
Confessionalização: Processo pelo qual igrejas e governos buscaram definir doutrina, disciplina e pertencimento. Ajuda a estudar Europa reformada, mas não implica obediência uniforme.
Corveia: Obrigação de trabalho não livre devida periodicamente a senhor, comunidade ou Estado. É categoria comparativa ampla; nomes e direitos locais precisam ser especificados.
Crioulização: Formação de práticas, línguas e identidades novas em situações de contato e deslocamento. Não significa mistura sem poder; no Atlântico ocorreu sob escravização, colonialismo e criatividade comunitária.
Devshirme: Recrutamento otomano periódico de meninos cristãos para conversão e serviço imperial. Produziu janízaros e administradores em contextos específicos; não recrutou toda população cristã nem permaneceu idêntico por séculos.
Encomienda: Concessão espanhola do direito de receber tributo ou trabalho de comunidades indígenas sob dever declarado de proteção e instrução cristã. Não era propriedade formal das pessoas, mas permitiu coerção intensa.
Estado da Índia: Conjunto português de fortalezas, cidades, frotas e jurisdições entre África oriental e Ásia, governado a partir de Goa. Era rede descontínua, não domínio uniforme do oceano Índico.
Fazenda fiscal: Contrato pelo qual um agente antecipava ou prometia receita ao governo em troca do direito de cobrar impostos. Reduzia custos imediatos e podia fortalecer intermediários.
Feitoria: Posto de comércio e armazenamento administrado por feitores. Podia existir com autorização local e sem conquista territorial extensa.
Firman: Ordem ou concessão emitida por soberano islâmico, especialmente associada a governos persianizados e otomanos. Companhias europeias buscavam firmans para comércio, revelando dependência da autoridade local.
Fronteira: Zona de soberania graduada, circulação, fortificação, comércio e conflito. Não deve ser representada automaticamente como linha fixa de Estado moderno.
Ghulam: Servidor militar ou administrativo cuja origem podia envolver cativeiro, conversão e treinamento doméstico. No mundo safávida, ghulams de origem caucasiana ajudaram a equilibrar elites qizilbash.
Haijin: Políticas Ming de restrição ao comércio marítimo privado. Sua aplicação variou; não eliminaram comércio, migração ou contrabando.
Império da pólvora: Rótulo aplicado sobretudo a otomanos, safávidas e mogóis pela importância de armas de fogo. É útil se combinado com fiscalidade, cavalaria, alianças e legitimidade; tecnologia sozinha não explica os impérios.
Jagir: Atribuição temporária de receita a um servidor mogol. Não conferia propriedade plena da terra e dependia de produção, registros e negociação local.
Janízaro: Membro de corpo de infantaria otomano ligado à casa imperial. Sua composição, recrutamento e papel político mudaram entre os séculos XV e XVIII.
Jizya: Tributo historicamente cobrado de certos súditos não muçulmanos em governos islâmicos. Regras, isenções e aplicação variavam; no império Mogol foi abolido e restaurado em períodos distintos.
Kuraka ou cacique: Termos usados para autoridades indígenas andinas e americanas. Algumas posições antecediam a colonização e foram transformadas como mediadoras de tributo, trabalho e litígio.
Mansab: Grau hierárquico de serviço no império Mogol, associado a salário e obrigação de manter contingentes. O número formal precisava ser verificado e não correspondia automaticamente a soldados presentes.
Mercantilismo: Categoria posterior usada para políticas de monopólio, balança comercial e incentivo estatal. Governos da época não seguiam um manual único; práticas variaram e podiam ser contraditórias.
Millet: Termo otomano para comunidade ou confissão em usos que mudaram. Não deve ser projetado como sistema nacional fixo e plenamente institucionalizado desde o século XV.
Mita: No mundo andino, obrigação rotativa de trabalho com precedentes incas. A mita colonial, sobretudo ligada a Potosí, transformou escala, destino e coerção sob governo espanhol.
Monarquia composta: Formação dinástica que reúne territórios com leis, impostos e instituições diferentes sob um soberano. Monarquias Habsburgo e ibéricas são exemplos centrais.
Monopólio: Direito exclusivo declarado sobre comércio, produto ou rota. Sua existência legal não prova fiscalização efetiva; contrabando e licenças excepcionais eram comuns.
Oba, manicongo e ngola: Títulos associados respectivamente a Benin, Kongo e Ndongo. Traduzir todos simplesmente como rei é útil em síntese, mas pode apagar instituições e cosmologias próprias.
Plantação: Unidade de produção comercial intensiva, frequentemente ligada a processamento, crédito e trabalho coercivo. Açúcar foi central, mas plantações variaram por cultivo e região.
Quilombo, palenque e maroon: Termos relacionados a comunidades formadas por fugitivos da escravidão, com histórias linguísticas e regionais diferentes. Podiam incluir outros habitantes e manter comércio, guerra ou tratados com vizinhos.
Qizilbash: Confederações turcomanas devotas à ordem safávida e decisivas nas conquistas de Ismail. Seu poder provincial foi equilibrado por Abbas I, mas não desapareceu.
Racialização: Processo histórico que associa aparência, ascendência e origem a hierarquias jurídicas e sociais. No Atlântico, a vinculação entre ascendência africana e escravidão hereditária tornou-se mais rígida ao longo do tempo.
Repartimiento: Sistema colonial espanhol de recrutamento temporário de trabalho indígena, com formas regionais. Pagamento ou duração limitada não anulavam a obrigação.
Sakoku: Rótulo posterior para políticas Tokugawa de restrição marítima. A expressão país fechado é enganosa porque comércio e diplomacia continuaram por canais selecionados.
Sipahi: Cavaleiro otomano, frequentemente associado à receita de timar e serviço militar. Não deve ser equiparado automaticamente a cavaleiro feudal europeu.
Soberania: Reivindicação de autoridade superior. Na primeira modernidade, era frequentemente compartilhada, graduada ou sobreposta entre imperador, rei, cidade, igreja, senhor, comunidade e companhia.
Sulh-i kul: Ideal mogol de paz universal associado a Akbar. Sustentava inclusão de elites e comunidades sob soberania imperial, sem abolir desigualdade.
Timar: Direito otomano de receber receitas designadas em troca de serviço, especialmente cavalaria. Não era propriedade privada plena e perdeu peso relativo com mudanças fiscais.
Trabalho coercivo: Categoria ampla para obrigações impostas por lei, força, dívida ou dependência. Inclui regimes diferentes e não deve apagar distinções entre escravidão, servidão, mita, corveia e recrutamento.
Tributação em prata: Conversão de obrigações fiscais para pagamento monetário, importante no Ming tardio e em outros governos. A prata liga fiscalidade a mercados, mas sua adoção foi desigual.
Vice-reino: Grande jurisdição governada por representante do monarca. O vice-rei encarnava autoridade real, porém compartilhava governo com tribunais, cidades, igrejas e elites locais.
VOC e EIC: Siglas da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais e da Companhia Inglesa das Índias Orientais. Foram companhias privilegiadas distintas em capital, governo e trajetória; não devem ser fundidas numa categoria britânico-holandesa genérica.
Waqf: Fundação pia islâmica que vinculava propriedades e receitas a finalidade religiosa ou social. Sustentava mesquitas, escolas, fontes, hospitais e famílias, combinando devoção e economia.
Yasak: Tributo cobrado pelo Estado russo a povos siberianos, frequentemente em peles. Sua arrecadação envolvia presentes, coerção, reféns e negociação.
Zamindar: Categoria mogol para detentores de direitos locais e fiscais variados. Podia designar chefes poderosos ou intermediários menores; seu sentido mudou por região e período.