E.1 Protocolo de leitura em sete perguntas
- Quem produziu a fonte e em qual posição social ou institucional?
- Quando foi produzida em relação ao acontecimento narrado?
- Para qual público e com qual objetivo?
- Que gênero organiza o texto ou objeto: petição, crônica, cadastro, pintura, lei, mapa ou conta?
- Quem aparece por voz própria e quem é classificado por terceiros?
- Que afirmação pode ser verificada com uma fonte de tipo diferente?
- O que a fonte não permite concluir?
Responder às sete perguntas antes de resumir reduz o risco de repetir propaganda de corte, categorias coloniais ou números administrativos como se fossem descrição completa.
E.2 Dossiê 1 – Cortés e o Códice Florentino
As Cartas de relação de Cortés apresentam campanha e governo para um monarca de quem o autor buscava reconhecimento. O Livro XII do Códice Florentino registra versões em náuatle e espanhol produzidas por Sahagún, anciãos, escribas e artistas nahuas décadas depois da guerra. Nenhuma fonte é memória pura; juntas, tornam visíveis seleção e tradução.
- Compare como cada obra distribui iniciativa entre espanhóis, mexicas e aliados indígenas.
- Marque passagens de observação, rumor e justificativa.
- Verifique no mapa quais deslocamentos exigiam alimento, canoas e estradas.
- Conclusão esperada: não escolher um relato vencedor, mas explicar por que discordam.
Cuidado: Não use indígena como ponto de vista único. Tlaxcaltecas, mexicas, texcocanos e outras comunidades possuíam posições diferentes e mutáveis.
E.3 Dossiê 2 – Guaman Poma como crítica visual
El primer nueva corónica y buen gobierno, de Felipe Guaman Poma de Ayala, reúne carta, crônica, genealogia, catequese, sátira e centenas de desenhos. Foi dirigido ao rei espanhol no início do século XVII e provavelmente nunca chegou ao destinatário. O autor reivindicava autoridade andina e cristã para denunciar a má administração.
- Escolha um desenho de autoridade colonial e descreva composição, gestos, inscrições e escala.
- Compare o texto com a imagem: um repete ou corrige o outro?
- Identifique o modelo de bom governo proposto, não apenas a denúncia.
- Pesquise como o manuscrito foi preservado em Copenhague e digitalizado.
E.4 Dossiê 3 – Cartas do Kongo
Cartas atribuídas a Afonso I do Kongo e correspondência luso-kongolesa mostram uma corte africana usando escrita diplomática cristã. O rei solicita especialistas, organiza igreja, reivindica tratamento soberano e denuncia práticas que ameaçam seus súditos. A seleção sobrevivente depende de arquivos europeus.
- Liste as demandas que pressupõem igualdade diplomática e as que revelam dependência.
- Distinga crítica ao comércio ilegal de rejeição total da escravidão; não imponha uma posição que a fonte não sustenta.
- Pergunte quais vozes de províncias e pessoas capturadas não aparecem na carta régia.
E.5 Dossiê 4 – Cadastro otomano
Defters otomanos registravam unidades fiscais, terras e obrigações. Permitem estudar nomes de aldeias, cultivos e categorias de receita. Foram instrumentos de governo, não censos modernos completos.
- Defina a unidade contada antes de convertê-la em pessoas.
- Compare dois momentos para identificar mudança de classificação.
- Procure evidência judicial ou arqueológica para práticas que o cadastro não registra.
- Evite inferir identidade étnica diretamente de um nome ou categoria fiscal.
E.6 Dossiê 5 – Iskandar Beg e a corte safávida
A História de Shah Abbas, de Iskandar Beg Munshi, foi escrita por participante da burocracia safávida. Descreve campanhas, nomeações e virtudes régias segundo convenções persianizadas. Sua proximidade oferece informação e compromisso.
- Separe descrição logística de elogio moral.
- Compare a narrativa de uma embaixada com objetos, cartas estrangeiras ou registros de comércio.
- Analise como qizilbash, ghulams e burocratas recebem papéis diferentes.
E.7 Dossiê 6 – Baburnama, Akbarnama e Ain-i Akbari
O Baburnama é memória dinástica de um conquistador; o Akbarnama de Abu'l-Fazl apresenta a trajetória de Akbar; o Ain-i Akbari organiza instituições, territórios e saberes. O conjunto permite estudar como uma família transformou conquista instável em linguagem imperial.
- Compare a voz autobiográfica de Babur com a imagem quase cósmica de Akbar.
- Escolha uma cifra fiscal do Ain-i Akbari e procure como historiadores avaliam sua cobertura.
- Observe autoria coletiva de manuscritos ilustrados: calígrafos, pintores e patronos participam da fonte.
E.8 Dossiê 7 – Memorial Ming-Qing
Memoriais levavam informação e recomendações ao imperador. Um oficial podia destacar crise para obter recursos, minimizar falha própria ou demonstrar lealdade. Rescritos registravam a resposta central, não necessariamente a execução local.
- Identifique o problema administrativo e a solução proposta.
- Marque conceitos morais usados como argumento político.
- Verifique se gazetteers locais ou registros de preços sustentam a descrição.
- Compare continuidade de linguagem entre transição Ming-Qing.
E.9 Dossiê 8 – Diários de companhia
Diários da VOC e EIC registravam deliberações, cargas, preços e diplomacia. São densos porque companhias precisavam prestar contas. A documentação tende a apresentar produtores e governos asiáticos pelo efeito que tinham sobre contratos.
- Reconstrua uma mercadoria do produtor ao porto e ao consumidor.
- Liste todas as pessoas sem as quais a transação falharia.
- Compare o monopólio escrito na carta com concorrência observada no diário.
- Classifique uma ação como comercial, diplomática, militar ou híbrida.
E.10 Dossiê 9 – SlaveVoyages
Uma consulta ao banco pode selecionar período, região de embarque, bandeira e destino. Antes de produzir gráfico, leia a metodologia e diferencie casos documentados de estimativas. Uma linha representa uma viagem, não uma biografia coletiva.
- Formule uma pergunta limitada, como mudança dos destinos entre 1601-1650 e 1651-1700.
- Registre filtros e data de acesso para permitir reprodução.
- Apresente totais como estimativas e explique lacunas.
- Acrescente uma fonte de experiência individual ou comunitária para não reduzir pessoas a números.
E.11 Dossiê 10 – Mapas de soberania
Mapas europeus podiam combinar observação, informação indígena, imaginação e pretensão. Linhas costeiras detalhadas coexistiam com interiores vagos. Brasões e cores proclamavam posse.
- Diferencie conhecimento geográfico de autoridade política.
- Identifique topônimos indígenas preservados ou substituídos.
- Compare o mapa com um tratado e um registro de assentamento.
- Redesenhe a região com gradações: núcleo administrado, corredor, aliado, fronteira e área não controlada.
E.12 Oficina de cronologia comparada
- Selecione cinco formações que coexistiram por pelo menos cinquenta anos.
- Para cada uma, marque expansão, crise e reorganização sem usar ascensão e queda como únicos verbos.
- Adicione uma linha de trabalho e receita.
- Adicione uma linha de religião e legitimação.
- Conecte apenas relações demonstradas; use tracejado conceitual para comparação sem contato.
- Escreva uma conclusão com uma semelhança limitada e duas diferenças explicativas.
E.13 Oficina de artigo para blog
Um artigo de qualidade pode ser construído em seis blocos:
- Título que formule problema, não ranking: Como companhias comerciais governavam sem possuir países inteiros?
- Abertura com cena documentada e fonte identificada.
- Contexto de 150 a 250 palavras com mapa temporal.
- Três mecanismos comparados: receita, intermediários e limite.
- Quadro mito versus evidência.
- Conclusão que indique o que é seguro, provável e debatido, seguida de leituras.
Adapte a redação com voz própria, preserve a autoria do material-base e cite obras consultadas. Imagens exigem verificação separada de direitos: domínio público, licença aberta ou autorização. Acervo online não significa uso livre automático.
E.14 Temas de posts seriados
- Por que 1521 não encerrou a conquista do México.
- Macau era colônia portuguesa? Uma resposta por graus de soberania.
- Nzinga, Kongo e Portugal: diplomacia africana num Atlântico desigual.
- Prata de Potosí e mercados chineses: conexão sem comando único.
- Sakoku: como o Japão regulou contatos sem se isolar.
- Vestfália não inventou o Estado moderno em um dia.
- VOC e EIC: empresas privadas ou governos delegados?
- Cinco formas de trabalho coercivo que não devem ser confundidas.
- O que o SlaveVoyages permite contar e o que não permite.
- Como mapas coloniais transformavam pretensão em aparência de posse.
E.15 Questões de revisão
- Por que aliança indígena é mais explicativa que superioridade europeia para a conquista do México?
- Qual a diferença entre vencer uma capital e consolidar uma colônia?
- Como Estado da Índia e VOC combinavam comércio e soberania?
- Por que timar e jagir não equivalem automaticamente a feudos?
- De que modos xiismo e sunismo organizaram rivalidade safávida-otomana?
- Como a prata conectou Américas, Europa e Ásia?
- Por que participação africana no tráfico não pode ser descrita como responsabilidade continental uniforme?
- Que limites o banco SlaveVoyages possui?
- Por que Qing era império multiétnico, não simples continuação Ming?
- O que sakoku e millet ensinam sobre categorias históricas posteriores?
- Como guerra e crédito se reforçaram em Estados europeus?
- Por que em 1700 ainda não havia domínio europeu uniforme da Ásia e África?
E.16 Rubrica para avaliar uma resposta
| Critério | Excelente | Satisfatório | Precisa revisão |
|---|---|---|---|
| Cronologia | Situa processo antes e depois da data | Usa datas corretas mas pouco conectadas | Trata evento como começo ou fim absoluto |
| Evidência | Identifica autor, gênero, público e limite | Cita fonte sem discutir mediação | Repete fonte como fato neutro |
| Comparação | Compara mecanismo e explica diferença | Nota semelhança geral | Faz ranking de civilizações |
| Agência | Localiza escolhas sob restrições específicas | Menciona resistência genericamente | Apaga grupos locais ou culpa coletivos inteiros |
| Escala | Liga aldeia, região, império e oceano | Permanece em uma escala coerente | Salta do caso local para conclusão mundial |
| Incerteza | Distingue seguro, provável e debatido | Usa cautela ocasional | Apresenta estimativas como números exatos |
Integridade acadêmica: Uma boa adaptação não copia parágrafos sem crédito. Ela reorganiza a síntese, volta às fontes indicadas, acrescenta análise própria e mantém referências verificáveis.