14.1 Democracias e reformas dos anos 1990
Eleições se tornaram regra regional enquanto governos estabilizaram moedas, privatizaram empresas e abriram comércio. Democracia conviveu com desigualdade, violência institucional, sistemas partidários frágeis e baixa confiança. Reformas econômicas produziram ganhos e custos distribuídos de forma desigual.
14.2 NAFTA, Mercosul e regionalismos
O NAFTA integrou México, Estados Unidos e Canadá em cadeias industriais; foi substituído pelo USMCA em 2020. Mercosul combinou comércio e projeto político com avanços e crises. Unasul, Aliança do Pacífico, CELAC e outras iniciativas refletiram mudanças de governo e visões concorrentes.
14.3 Maré rosa e política social
Nos anos 2000, governos de esquerda ou centro-esquerda ampliaram políticas sociais, presença estatal e cooperação regional. Receitas de commodities facilitaram gasto, mas dependência exportadora permaneceu. Casos variaram de democracia competitiva a concentração de poder.
14.4 China e diversificação comercial
A China tornou-se grande compradora de soja, minério, petróleo e cobre e fornecedora de bens, crédito e infraestrutura. A relação diversificou parceiros além dos Estados Unidos e Europa, porém reforçou especialização em commodities em várias economias.
14.5 Crises políticas e migração
Protestos, impeachments, mudanças constitucionais, deterioração econômica e autoritarismo revelaram instituições sob tensão. Deslocamento venezuelano adquiriu escala regional. Crime organizado e controle territorial desafiam Estados, sem que segurança possa ser separada de justiça, emprego e capacidade local.
14.6 Brasil entre autonomia e coalizões
O Brasil combinou Mercosul, BRICS, G20, operações de paz, cooperação Sul-Sul e relações com potências. Mudanças presidenciais alteraram ênfases em ambiente, integração e alinhamento, mas escala territorial, agricultura, energia e diplomacia profissional sustentaram capacidade de articulação.
| Estratégia | Instrumento | Ganho possível | Limite |
|---|---|---|---|
| Integração regional | Tarifa e instituição | Escala e negociação | Mudança política |
| Boom de commodities | Exportação e receita | Política social e reserva | Ciclo e especialização |
| Diversificação | China, Europa e Sul | Barganha | Nova dependência |
| Autonomia diplomática | Coalizão e mediação | Voz internacional | Capacidade material |
MITO VERSUS EVIDÊNCIA Mito: a América Latina deixou a influência dos Estados Unidos e passou à influência chinesa. Evidência: comércio, finanças, segurança e política variam por país e setor, produzindo dependências sobrepostas.
Leituras-base do capítulo
Steven Levitsky e Kenneth Roberts, The Resurgence of the Latin American Left; Tulio Halperín Donghi, The Contemporary History of Latin America; Barbara Stallings, Dependency in the Twenty-First Century?; Kevin Gallagher, The China Triangle; Mónica Hirst, Understanding Brazil-United States Relations.