6.1 Reforma econômica e concentração de propriedade
Nos anos 1990, liberalização rápida, privatização e crise fiscal transformaram a antiga economia soviética. Alguns empresários adquiriram ativos estratégicos em condições pouco transparentes, enquanto o Estado perdeu capacidade de arrecadação e coordenação. A transição criou mercados, mas também forte concentração de propriedade e insegurança social.
A Federação Russa manteve arsenal, assento permanente no Conselho de Segurança, ciência e território continental, porém enfrentou queda de capacidade. A recuperação dos anos 2000 combinou preços de energia, centralização administrativa e controle político crescente.
6.2 Centro federal e regiões
O governo reconstruiu autoridade sobre governadores, impostos, mídia e grandes empresas. Conflitos no Cáucaso foram incorporados a um projeto de recentralização. A federação permaneceu formalmente plural, mas o espaço para oposição, imprensa e autonomia regional diminuiu.
6.3 Energia como recurso de Estado
Petróleo e gás financiaram orçamento, exportações e influência. Gasodutos conectaram Rússia e Europa, gerando dependência recíproca desigual. Empresas estatais e contratos de longo prazo funcionaram como instrumentos econômicos e políticos, embora compradores buscassem diversificar rotas e fornecedores.
6.4 Esfera de influência e vizinhança
Moscou tratou o espaço pós-soviético como área de interesses especiais. Organizações de segurança e economia, bases, cidadania, mídia e energia sustentaram conexões. Governos vizinhos, contudo, negociaram entre Rússia, União Europeia, China, Turquia e Estados Unidos.
As guerras na Geórgia em 2008, a anexação da Crimeia em 2014 e o apoio a entidades separatistas indicaram disposição de usar força para alterar condições regionais. Reconhecimento jurídico internacional e controle territorial passaram a divergir.
6.5 Invasão da Ucrânia e ruptura
Em fevereiro de 2022, a Rússia iniciou invasão em grande escala da Ucrânia. A guerra produziu ampla condenação na Assembleia Geral da ONU, apoio militar e financeiro ocidental a Kiev, sanções contra Moscou e reorientação energética europeia. Também fortaleceu relações russas com China, Irã, Coreia do Norte e parceiros comerciais não ocidentais.
Até agosto de 2026, o conflito permanecia processo aberto. Uma análise histórica responsável distingue objetivos declarados, operações documentadas, decisões ucranianas, apoio externo, negociações e consequências internacionais, evitando anunciar um desfecho inexistente.
| Recurso | Uso interno | Uso externo | Vulnerabilidade |
|---|---|---|---|
| Energia | Receita e patronagem | Exportação e contrato | Preço e rota |
| Forças armadas | Centralização e prestígio | Coerção regional | Custo e desgaste |
| Passaporte e mídia | Identidade e controle | Influência transfronteiriça | Resistência local |
| Organização regional | Coordenação | Institucionalizar liderança | Autonomia dos membros |
MITO VERSUS EVIDÊNCIA Mito: a Rússia apenas restaurou a União Soviética. Evidência: o Estado pós-soviético combina nacionalismo, mercado concentrado, energia, instituições herdadas e novas redes, sem reproduzir integralmente o sistema anterior.
Leituras-base do capítulo
Stephen Kotkin, Armageddon Averted; Fiona Hill e Clifford Gaddy, Mr. Putin; Angela Stent, Putin’s World; Serhii Plokhy, The Russo-Ukrainian War; Timothy Colton, Russia.