7. China: ascensão industrial, infraestrutura e poder tecnológico

A China aprofundou reformas de mercado sob direção do Partido Comunista. Zonas econômicas, investimento, empresas locais e infraestrutura ampliaram produção. O Estado preservou bancos, terra, setores estratégicos e capacidade de orientar crédito. A combinação não cabe plenamente nas categorias de mercado liberal ou planejamento soviético. A entrada na Organização Mundial do Comércio em dezembro de…

7.1 Reforma sem mudança de regime

A China aprofundou reformas de mercado sob direção do Partido Comunista. Zonas econômicas, investimento, empresas locais e infraestrutura ampliaram produção. O Estado preservou bancos, terra, setores estratégicos e capacidade de orientar crédito. A combinação não cabe plenamente nas categorias de mercado liberal ou planejamento soviético.

7.2 OMC e fábrica mundial

A entrada na Organização Mundial do Comércio em dezembro de 2001 consolidou integração comercial. Empresas estrangeiras transferiram produção e tecnologia, enquanto firmas chinesas aprenderam, cresceram e passaram a competir. Portos, energia, cidades e educação sustentaram escala industrial.

O processo reduziu pobreza e ampliou renda, mas também produziu desigualdade, pressão ambiental e diferenças regionais. Trabalho migrante interno sustentou cidades sem acesso sempre igual aos serviços vinculados ao registro residencial.

7.3 Empresas estatais e setor privado

Empresas estatais dominam energia, finanças, telecomunicações e infraestrutura; empresas privadas ganharam importância em manufatura, plataformas e inovação. O partido exerce coordenação por nomeações, regulação, crédito e comitês. Mudanças regulatórias demonstram que autonomia empresarial permanece condicionada.

7.4 Iniciativa Cinturão e Rota

Anunciada em 2013, a iniciativa financia e constrói portos, ferrovias, energia e corredores. Projetos podem reduzir tempo de transporte e preencher lacunas, mas contratos, dívida, demanda, ambiente e transparência variam. Chamar toda obra de “armadilha da dívida” apaga negociação local; ignorar assimetrias também é inadequado.

7.5 Mar, Taiwan e segurança regional

Reivindicações no Mar do Sul da China, modernização naval e pressão sobre Taiwan conectam nacionalismo, rotas e competição com os Estados Unidos. Países do Sudeste Asiático combinam cooperação econômica com busca de garantias e autonomia. A interdependência não elimina risco de crise.

7.6 Tecnologia e dupla circulação

Plataformas, 5G, veículos elétricos, baterias, inteligência artificial e espaço tornaram-se campos de política industrial. Restrições externas a chips avançados incentivaram investimento doméstico. A estratégia de dupla circulação procura combinar mercado interno, exportações e menor dependência em gargalos.

PilarInstrumentoAlcance externoLimite
IndústriaCrédito, escala e fornecedorComércio e preçoExcesso e barreira
InfraestruturaBanco, empresa e obraCorredor e contratoDívida e demanda
TecnologiaPesquisa, padrão e plataformaEcossistema digitalChips e confiança
DiplomaciaComércio e instituiçãoCoalizão temáticaRivalidades regionais

MITO VERSUS EVIDÊNCIA Mito: todos os projetos chineses obedecem a um plano central perfeito. Evidência: ministérios, bancos, províncias, empresas e governos parceiros negociam projetos com coordenação, competição e resultados desiguais.

Leituras-base do capítulo

Barry Naughton, The Chinese Economy; Elizabeth Economy, The Third Revolution; Rush Doshi, The Long Game; Yuen Yuen Ang, How China Escaped the Poverty Trap; World Bank, Belt and Road Economics.