16. Crises dos anos 1970 e 1980: petróleo, dívida e reformas de mercado

Em 1971, os Estados Unidos suspenderam conversibilidade do dólar em ouro. Câmbios flutuantes e finanças internacionais modificaram margem de governos. A guerra de 1973 e decisões de exportadores elevaram preço do petróleo. Países produtores acumularam receita; importadores enfrentaram inflação e balanço de pagamentos. Bancos reciclaram petrodólares por empréstimos. Crédito abundante financiou Estado, infraestrutura e consumo,

16.1 Fim de Bretton Woods e choques do petróleo

Em 1971, os Estados Unidos suspenderam conversibilidade do dólar em ouro. Câmbios flutuantes e finanças internacionais modificaram margem de governos. A guerra de 1973 e decisões de exportadores elevaram preço do petróleo. Países produtores acumularam receita; importadores enfrentaram inflação e balanço de pagamentos.

Bancos reciclaram petrodólares por empréstimos. Crédito abundante financiou Estado, infraestrutura e consumo, mas contratos em moeda estrangeira criaram vulnerabilidade a juros e recessão.

16.2 Crise da dívida

No início dos anos 1980, juros elevados, dólar forte e queda de exportações tornaram dívidas difíceis de servir. México anunciou em 1982 incapacidade de manter pagamentos nas condições existentes, abrindo crise regional. FMI, bancos e governos credores negociaram programas de ajuste.

Cortes, desvalorização, privatização e abertura variaram por país. A expressão década perdida resume estagnação latino-americana, mas impactos foram desiguais. África subsaariana também enfrentou deterioração fiscal e programas de ajuste.

16.3 Reformas de mercado e neoliberalismo

Chile sob ditadura foi laboratório precoce de liberalização, embora políticas tenham mudado após crise bancária. Grã-Bretanha de Margaret Thatcher e Estados Unidos de Ronald Reagan reduziram sindicatos, impostos e regulação em áreas selecionadas, sem diminuir igualmente todos os poderes do Estado.

Neoliberalismo designa ideias, coalizões e instituições favoráveis a competição, propriedade privada e disciplina monetária. Não foi pacote único nem retirada pura do Estado; exigiu legislação, bancos centrais, polícia, tratados e criação de mercados.

16.4 Reformas na China

Após 1978, liderança chinesa introduziu responsabilidade familiar na agricultura, zonas econômicas especiais, investimento externo e maior autonomia empresarial, mantendo monopólio político do Partido Comunista. A transformação foi gradual e experimental, não simples adoção do modelo ocidental.

Crescimento ampliou produção e comércio, mas produziu novas desigualdades e migrações. Protestos de 1989 expressaram demandas variadas e foram reprimidos. A China entrou na década de 1990 com economia mais integrada e Estado político centralizado.

16.5 Irã, Afeganistão e nova instabilidade

A revolução iraniana, a guerra entre Irã e Iraque e a intervenção soviética no Afeganistão em 1979 alteraram alianças. Estados Unidos, Paquistão, Arábia Saudita e outros apoiaram resistência afegã; União Soviética retirou forças em 1989. Causas internas, rivalidades regionais e competição global se sobrepuseram.

Religião política ganhou visibilidade, mas não substituiu classe, Estado e nacionalismo. Projetos islâmicos eram diversos e frequentemente rivais.

16.6 Ambientalismo e limites do desenvolvimento

Poluição industrial, acidentes, desmatamento e crise urbana ampliaram movimentos ambientais. Conferência de Estocolmo de 1972 conectou ambiente e desenvolvimento. Países do Sul argumentaram que responsabilidade e recursos eram desiguais.

O acidente de Chernobyl em 1986 expôs problemas de segurança, segredo e confiança. Ambientalismo tornou-se linguagem transnacional e, em algumas regiões soviéticas, canal para demandas nacionais.

TransformaçãoCanalEfeito imediatoQuestão de poder
Choque do petróleoPreço e ofertaInflação e transferência de rendaQuem controla recurso e finança?
Crise da dívidaJuros, dólar e exportaçãoAjuste e recessãoCredor define política doméstica?
PrivatizaçãoVenda e regulaçãoMudança de propriedadeEstado perde ou reorganiza capacidade?
Reforma chinesaExperimento e zona especialCrescimento e comércioMercado sem pluralismo político
AmbientalismoCiência, movimento e conferênciaNova agenda públicaResponsabilidade comum ou desigual?

Mito versus evidência: Mito: os anos 1980 provaram espontaneamente a superioridade de mercados livres. Evidência: reformas resultaram de crises, coalizões, coerção, instituições e escolhas estatais, com ganhos e custos distribuídos de forma desigual.

Leituras-base do capítulo: Eric Helleiner, States and the Reemergence of Global Finance; Barry Eichengreen, Globalizing Capital; Quinn Slobodian, Globalists; Isabella Weber, How China Escaped Shock Therapy.